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Pi Pi Piiii … Pi Pi Piiii … Pi Pi… Piiii …
Tempicos acordou entre uma onda de calor que lhe atormentava o corpo e um suor frio fininho que lhe percorria a espinha. “Salvo pelo rádio despertador…” suspirou.
As noites dos últimos dias tinham sido povoadas por uma onírica dança fandanga, em que o sono era perturbado por um conjunto recorrente de imagens. O mesmo argumento base, mas com um guião sempre diferente, como os remakes dum filme.
Tudo começava com um vislumbre da Nelinha, ou da Mary Lou, num transporte público – eléctrico, metro, cacilheiro ou alfa pendular. Depois de uma curta cena secundária, variável, o sonho evoluía para o melhor take: Tempicos rodeado de beldades semi nuas, sempre num tórrido ambiente escaldante, quer fosse uma paradisíaca praia tropical ou um gélido lago nórdico.
Por fim vinha a parte do pesadelo que atormentava Tempicos. Uma voz acordava-o, dizendo que estava a sonhar. Tempicos, aquecido pelo sonho, virava-se na cama para propor uma sessão de sexo matinal ao amor da sua vida, e dava de caras com algumas aberrações – uma mulher barbada de um circo itinerante, uma obesa de 370 quilos com uma imensa lingerie púrpura e até um marinheiro musculoso com o corpo tatuado. Eram estas as figuras que depois se instalavam em permanência na sua cabeça, sem lhe darem direito a descanso.
Levantou-se, decidido a pôr um ponto final no assunto. “Hoje não vai ser mais um dia igual aos outros”– anunciou com determinação. Vagueou horas sem fim por Lisboa, com o cérebro em permanente efervescência: era imperioso encontrar uma solução, um novo projecto de vida. Estava farto de viver de lembranças, dos engates de viúvas – mesmo as ricas - e das férias nas praias algarvias. “Afinal, o que é que tu queres Tempicos?” – perguntou em voz alta, espantando os pombos do jardim. Fechou os olhos, reflectiu, respirou fundo e concluiu sem hesitar: “Quero voltar à investigação, quero as células cinzentas activas de novo, quero ver sangue com um leve cheirinho a pólvora, quero …”
Chegou à “A Ginjinha” do Largo de São Domingos, num ritual sagrado que cumpria sempre que estava em Lisboa. E foi aqui que lhe entregaram a folha cor-de-rosa, “Deixaram cá isto, ontem p’ra ti”.
No papel, uma letra feminina pedia “Sexta-feira, 20 horas nos Goliardos à Praça da Alegria” Seguia-se um suplicante “Por Favor” sublinhado três vezes e terminava assinado por um enigmático “H”.
Tempicos consultou o relógio, eram quase sete e meia. Atirou o dinheiro para o balcão e saiu apressado.
“Goliardos… Goliardos… sugeria uma sociedade secreta”. Tempicos cravou as unhas na palma da mão. A dor que sentiu deu- lhe a garantia que não estava a sonhar. Chegou ofegante à Praça da Alegria onde um anacrónico piano branco estava afogado no lago. Céptico, perguntou a uma velhota, que passeava um cão, se conhecia os goliardos e, surpreendido por obter uma resposta rápida, ficou a saber que eram “já aí, logo à sua esquerda, ao subir a Mãe d’ Água”. Entrou nos Goliardos – Bar garrafeira e ficou bem impressionado, não era uma tasca manhosa, nem um bar fino para intelectuais. Um espaço pequeno e agradável acolhia apenas duas ou três mesas. Um homem com ar de proprietário saiu detrás do balcão e disse com um leve sotaque: “Estávamos à sua espera. Tenho a mesa preparada ali ao fundo, no pátio”.
Tempicos viu-se sentado na companhia de uma tábua de queijos e enchidos, um prato com fatias de pão caseiro, dois copos de pé alto e uma garrafa de vinho tinto. No rótulo “um final de boca persistente e prolongado…” Pressionou com força o polegar esquerdo sobre a serrilha da faca dos queijos até sentir dor e ver surgir uma linha de sangue vivo. Safa! Estava acordado e o “final de boca” dos sonhos era uma premonição. Tempicos nem deu pela chegada da mulher. E que mulher! Uma amazona! Uma deusa! Um toque de ficção científica dado pelos largos óculos escuros e pelo fato de cabedal preto colado ao corpo. Só a palidez do rosto destoava do conjunto, ou talvez não…
A mulher, num agradecimento genuíno, cingiu as mãos (e o polegar enguardanapado por causa do corte recente) de um Tempicos embasbacado.
“Obrigada, muito obrigada! Tinha a certeza que viria! Sabe, primeiro foi a minha grande amiga Mary Lou – que Deus a tenha em descanso – que me apareceu, em sonhos, despida e com uma bola de luz na mão direita e me disse, só o Tempicos te poderá ajudar. Nem liguei muito, porque sou pouco dada a estas coisas dos sonhos. Mas ontem recebi um telefonema da Lilly, que está a par de toda a minha vida, e também ela me disse que o senhor era a única pessoa no mundo com capacidade para resolver os meus problemas. Foi ela que me deu as indicações para o poder contactar”.
A mulher falava de rajada, enquanto Tempicos beliscava repetidamente a barriga da perna direita para garantir que estava acordado.
“O meu marido foi assassinado em Janeiro, na nossa casa em Cascais. Morreu degolado, esvaído num mar de sangue. A Judiciária não encontrou ainda respostas. Ajude-me, ajude-me, suplico-lhe! Tenho dinheiro. Posso pagar. Pagar tudo aquilo que quiser. Tenho aqui comigo todos os dados do crime e da investigação feita até agora.”
Finalmente a mulher fez uma pausa, para abrir uma pasta repleta de folhas e fotos. Tempicos pousou os olhos sobre a primeira foto: um homem boiava de bruços, numa piscina interior, a água era vermelha. Tempicos beliscou, uma vez mais, a perna e torceu. Estava, também ele, mergulhado num crime com sangue, muito sangue…
“Ai…, Senhor Tempicos, mas que falta de educação a minha! Nem sequer me apresentei. Chamo-me H…
👌 FELIZ Domingo!
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| CAPA DA 1.ª EDIÇÃO |
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