domingo, 15 de março de 2026

Mary Lou, Mary Lou? Onde estavas tu? Romance ☝ EFL Dezasseis Episódios Mais Um! Oito Autores 2010 (TPL)

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🔎 Romance Policiário 🔍  

 


CAPÍTULO DOZE

Olá, Senhores Polícias de Domingo



De: Búfalos Associados

 

Desculpem, mas vou ter de voltar à carga. A minha pobre Kátia continua a ser afligida pela tremenda maldade dos homens. O que lhe vai valendo é o facto de eu procurar estar sempre perto dela e oferecer-lhe desinteressadamente o meu ombro amigo onde ela pode verter as suas sentidas lágrimas. Ainda recentemente andei à procura de uma casa para a mãe, a grande figura do teatro e do cinema Mary Lou, que queria à viva força adquirir a moradia onde morreu Marilyn Monroe em Brentwood, mas afinal apenas tive dinheiro para lhe comprar a do falecido Boris Karloff, que era uma pouco mais barata porque estava em ruínas e constava que tinha fantasmas. É lá que agora vive a minha querida Kátia, a dois passos de Los Angeles, onde a visito com regularidade.

A pobre rapariga anda desesperada. Parece que, de repente, passou a andar nas bocas do mundo. Eu bem lhe disse que não devia ter aceitado aquela história de vender a criança, mas a verdade é que também tive certa culpa na divulgação da carta em que ela se lamentava das consequências. Que não ficaram por aí, como vão ver.

Por uma razão ou por outra, espalhou-se a fama de que a infeliz estava disposta a repetir a função de mãe de aluguer, aceitando a encomenda de parir outra criança, dispensando-se dos cuidados posteriores. E então não é que começou um corrupio de hipotéticos clientes? Segundo ela me contou, o primeiro foi um jovem de maneiras delicadas, que em tempos terá sido até ministro e que se mostrava muito interessado em vir a ser o pai de uma criança sem ter de se dar ao trabalho de fazer a sua parte na tarefa.

Prometia-lhe mundos e fundos e até a convidava para um passeio de submarino, pois já dispunha de um e estava à espera de outro. O que vale é que ela não esteve com mais aquelas e despachou-o dizendo-lhe que aquilo de que ele precisava não era de uma mãe, mas sim de um pai. Para mãe estava lá ela. E a coisa frustrou-se.

Mas os candidatos não pararam aí! Depois apareceram: um toureiro, dois jogadores de râguebi que pretendiam casar um com o outro, um apresentador de televisão, um bombeiro, dois presidentes de Câmara, três canalizadores, um polícia reformado, um disco-jockey, um juiz do Caso Casa Pia, um cangalheiro, um engenheiro hidráulico de olhos verdes, um incendiário doloso e dois incendiários negligentes (que são aqueles que tentam deitar fogo às florestas e não conseguem por falta de jeito).

Também apareceu interessado um dos herdeiros de Lúcio Tomé Feteira, mas como só pagava depois da herança estar decidida, não se fechou o negócio,

Mas a história mais frustrante para ela, passou-se com um cantor de charme com quem ela até simpatizou e com quem até chegou a ter um caso que durou alguns dias. O homem era sedutor, tinha uma voz quente, segundo ela me disse, só que nunca tinha conseguido ver-lhe os olhos pois ele não tirava os óculos escuros. A coisa só correu mal uma certa noite quando ele lhe cantou ao ouvido com a sua voz forte e melodiosa um bocadinho de uma canção que dizia: ”Vamos fazer o que ainda não foi feito” Aí a Kátia teve um rasgo de discernimento e despediu-o dizendo-lhe” Ó filho, não é dessa maneira que se fazem os meninos! E lá foi o jovem fazer propostas para outro lado.

E pronto, o desabafo hoje fica por aqui. A minha querida Kátia está neste momento à espera de notícias de um treinador de futebol que não lhe tem aparecido porque diz que está à espera da resolução de um inquérito disciplinar que o anda a preocupar.

Vamos lá a ver no que a coisa dá.

Para terminar só diria: por favor deixem a minha querida Kátia em paz! Se as coisas continuarem como até aqui, a verdade é que “não há pai para ela”

 

Andy Saaavedra (Crítico de Arte)

Los Angeles, 20 de Agosto de 2010 

 




 

»»» VOLTAMOS, NO PRÓXIMO DOMINGO, 22 DE MARÇO DE 2026, COM A DIVULGAÇÃO DO CAPÍTULO TREZE - Pelos interstícios de uma alegada modernidade, o maligno renasce em todo o seu repugnante esplendor, de: NOVE, DESTE IRREVERENTE ROMANCE POLICIÁRIO.



 

👌 FELIZ Domingo!




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