🧐 POLICIÁRIO 🕵️
Episódio 5
5.ª colaboração - "Uma reacção diferente"
(por: SAMUEL T.)
- Porque não me explica antes o que quis dizer quando se referiu ao facto do lenço poder adensar ainda mais o mistério e inclusivamente envolver no assunto pessoas que lhe são alheias!?
- Não lhe posso dizer mais nada! Terá de confiar em mim! – foi a resposta, dita quase de um fôlego. Demasiado rápida até, pensei, como se tivesse sido estudada ou como se ela estivesse ali a repetir uma lição aprendida em algum lugar.
- Não sei porque hei-de confiar em si... a esse ponto, – acrescentei, sentindo agora uma estranha curiosidade em saber mais. De um lado, embora você pareça não partilhar desse ponto de vista, o seu irmão parece considerar que eu sou o único católico que não vai à missa neste país.
Depois, embora esse seu desacordo, é a primeira vez desde que para cá venho passar os fins de semana que se digna dirigir-me a palavra. Não acha que é pedir-me demais!? Que eu confie em si...! – e acentuei suficientemente o final da frase.
Normalmente, ela sentar-se-ia, torcendo as mãos. Eu não estranharia, até, algumas lágrimas ao canto dos olhos e ainda um suspiro fundo. Este seria o comportamento normal... mas ela não era dessas, ou melhor, era diferente.
Lançou-me um olhar irado, que eu pensava que não existisse nas pessoas que “ajudam” à missa, como ela fazia regularmente, e encaminhou-se para a porta, elevando a voz com um “Faça o que quiser, seu... seu...!!!”
Sem terminar a frase, bateu a porta e deixou-me ali, especado, de cigarro ao canto da boca e pensando muito sinceramente na paz que tinha perdido. Começava a estar de acordo com o cabo da Guarda e pensava muito a sério que aquele gajo deveria ter ido morrer a outro lado. Abri aquela que deveria ser a vigésima lata de uma carne horrível que o sacana do taberneiro me tinha vendido em promoção e, disposto ao sacrifício, barrei o pão com aquela mistela.
(CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 13 de Maio, com o texto do 6.º Episódio, “Insólito desaparecimento”, de: FREEMAN, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 221, Jornal “Barlavento” (26 de Maio de 1988).




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