🧐 🕵️ Primórdios da Problemística Policiária
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*** 69.ª Edição! 🎓 📖
PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA
PORTUGUESA
POR: DOMINGOS CABRAL - CORREIO POLICIAL
3.ª PARTE - PROBLEMAS N.ºs 21 e 22
CICLO SECÇÃO "PROBLEMA POLICIAL"
- DE A. ARAÚJO PEREIRA
* *
* * *
SEMANÁRIO JUVENIL
“O MOSQUITO”
Problema N.º 21
O Inspector Rosan fora
convidado para um interessante passeio náutico, por 2 amigos, proprietários
duma chalupa a motor; numa enseada solitária atracaram o barco, preparando-se
para iniciar o ataque à refeição que tinham trazido.
Rosan acabou de abrir uma garrafa de
cerveja, quando 4 malfeitores, de armas em punho, apareceram sobre as rochas,
intimando-os a levantar os braços. Uma profunda emoção se apoderou dos dois
amigos de Rosan, mas este não perdeu a presença de espírito. Os bandoleiros
revistaram minuciosamente a chalupa e os três tripulantes, tendo levado todos
os objectos que encontraram.
Quando os bandidos se afastaram, Rosan
disse: - Não perdi tudo, ainda consegui salvar o meu precioso anel de
brilhantes...
Como conseguiu Rosan salvar o anel se
os malfeitores tudo levaram, rebuscando minuciosamente todos os cantos da
embarcação?
***
Problema n.° 22
- Meu caro Rosan, não sei como hei-de
resolver este problema; tenho absoluta confiança no Joaquim, mas não posso
dizer o mesmo do Manuel e embora o carregamento não seja muito precioso, -
trata-se de 100 pares de sapatos, - gostaria de ter a certeza de que a
encomenda chegará ao seu destino.
O carregamento terá que ser dividido
entre os dois carregadores, pois só Joaquim não pode. Que me aconselha?
Rosan pensou durante 2 minutos e deu ao
industrial em apuros, que o consultara, um conselho:
- Boa ideia, e eu que não me tinha
lembrado dela! - exclamou aquele, radiante.
Qual foi o conselho que o Inspector Rosan deu?
***
SOLUÇÕES:
Problema n.° 21:
Rosan enfiou o anel de brilhantes na
rolha da garrafa que acabara de abrir. Depois lançou-a à água. Quando os
malfeitores se afastaram não teve mais trabalho do que pescar a rolha que boiava ao sabor
das ondas...
(NOTA DA “PÁGINA”):
Como é evidente, esta solução não podia
constituir hoje a resposta aceitável para o problema em causa, uma vez que as
tampas das garrafas de cerveja (vulgo caricas) por serem metálicas não flutuam
na água. Mas não se esqueça que o problema data de 1935, quando as tampas assim
não eram...)
Problema n.° 22:
O conselho de Rosan foi
que separasse os pares de sapatos de forma que um dos carregadores levasse
somente sapatos do pé direito e o outro os do pé esquerdo. Assim não haveria
perigo de furto por parte do carregador de quem se desconfiava.
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TEMA:
AUTORES PORTUGUESES
DE LIVROS POLICIÁRIOS,
SOB PSEUDÓNIMO
I – Autor
– MÁRIO DOMINGUES
Por:
RAUL RIBEIRO
Mário José Domingues, ou simplesmente
MÁRIO DOMINGUES, escritor de raça negra nascido na ilha do Príncipe, na Roça
infante D. Henrique, em 3 de Junho de 1899 e falecido, em Lisboa, no dia 24 de
Março de 1977, é um dos maiores testemunhos em como são enormidades e parvoíces
racistas as teses que defendem ser a raça negra uma raça de pessoas cujo grau
de inteligência é inferior ao da raça branca.
Efectivamente, foi um dos melhores
jornalistas portugueses, tendo levado a cabo reportagens memoráveis em que o
repórter se metia por dentro dos assuntos, vivendo-os directamente, para depois
escrever sobre eles. Foi assim que surgiram reportagens como “Um jornalista na
Mitra”, “No Limoeiro”, etc.
A maior parte destas reportagens foi
publicada no semanário “Detective” de que foi um dos fundadores em 1932 e
director. Trabalhou também como jornalista no semanário “Repórter X”, do seu
amigo Reinaldo Ferreira, igualmente como ele, jornalista e escritor policial.
Como historiador, a sua obra é notável.
Escreveu biografias das figuras mais importantes da nossa História, bem como de
outros grandes vultos da História Mundial, e, não raras vezes, introduziu
elementos novos, fruto não só da sua laboriosa consulta nas obras que lhe
serviam de suporte, mas também da sua extraordinária capacidade de raciocínio
lógico e analítico, sempre presentes nos seus livros de temática policiária.
Como escritor de ficção, escreveu
vários romances, de que se destaca “O Preto do Charleston” (1930). No que diz
respeito à literatura juvenil, escreveu, pelo menos, pseudónimos da dupla Henry
Dalton/Philip Gay vários romances.
Aquando das suas famosas reportagens
enquanto director do semanário “Detective”, familiarizou-se com os assuntos de
carácter policial, e, a experiência então adquirida ajudou-o a escrever dezenas
e dezenas de romances policiais sob vários pseudónimos.
A sua primeira novela policial, “O
Homem Sem Boca”, apareceu na colecção “Novela Policial”, de Reinaldo Ferreira,
e por condicionalismos de espaço terá ficado incompleta. Anos depois, no “ABC
Policial" n° 1”, do Dr. Artur Varatojo, Mário Domingues dá o final lógico
a essa novela.
Sob o seu nome escreveu igualmente um romance policial: “O
Crime de Sintra”, que foi incluído na colecção “Detective”, onde ainda esteve
anunciado outro romance que não chegou a aparecer. No entanto, sob pseudónimos
vários Mário Domingues escreveu dezenas de problemas policiários. Alguns desses
pseudónimos são conhecidos, mas há ainda imensos que continuam no
desconhecimento público.
Jornalista, ensaísta, romancista e
tradutor, publicou mais de 200 obras, com destaque para temas de História ou
Biográficos, e de Aventuras e Policiários, é hoje um escritor quase
desconhecido e injustamente ignorado.
Para bem da literatura policial e até
da cultura portuguesa, seria bom que fosse dado público conhecimento de todos
os outros pseudónimos de Mário Domingues.
Os mais conhecidos são os seguintes:
- Fred Criswell
- Henry Jackson
- James Black
- Joe Waterman
- Marcel Durand
- Max Felton
- Nelson Mackay
- Peter O'Brion
- Thomas Birch
- Henry Dalton & Philip
Dalton
- Fernand D'Almiro
- F. Hopkiin
- W Skeary
- James Strong
- J. W. Powell
- John Ferguson
- Max Felton
- Max Parker
- Nelson Mackay
- Wikkian O'Brown
- Repórter Mistério,
Entre muitos outros.
II - SOB O SEU NOME:
? - O Homem Sem Boca
1926 - Uma Tragédia Mesquinha
1938 - O Crime de Sintra
III - Sob o pseudónimo de FRED CRISWELL:
1937 - O Salteador de Mulheres
? - O Acusador Invisível
? - A Vingança do Legionário
IV - Sob o pseudónimo de HENRY JACKSON:
1937 - O Polícia Demónio
1937 - Quem Paga o Cheque?
1940 - O Último Gangster
? - Os Brilhantes Falsos
? - O Engenhoso Alibi
V - Sob o pseudónimo de JAMES BLACK:
1937 - O Suicídio É Inevitável
1937 - O Homem Réptil
1838 - O Segredo do Índio
1941 - A Tragédia do Palhaço
? - No Gang entra Uma Mulher
? - A Marca do Degredo
VI - Sob o pseudónimo de JOE WATERMAN:
1837 - O contrabando de Mulheres
1942 - A Seita Tenebrosa
? - Rivais Frente a Frente
VII - Sob o pseudónimo de MARCEL DURAND:
1838 - O Degredado da Guitarra
1843 - Um homem Aniquilado
VIII - Sob o pseudónimo de MAX FELTON:
1942 - A Esfera Misteriosa
1945 - Meia Noite e Doze
IX - Sob o pseudónimo de NELSON MCKAY:
1937 - O Colar da Felicidade
1937 - O Crime da Louca
1941- O Cão Polícia
? - A Casa Blindada
? - A Reportagem Fatal
X - Sob o pseudónimo de PETER OLRION:
1944 - Pegadas no Caminho
XI - Sob o pseudónimo de THOMAS BIRCH:
1937 - O Brinquedo Trágico
1938 - Na Cadeira Eléctrica
1942 - O Punhal Envenenado
? - Eis a Prova
XII - Sob o pseudónimo de W. JOELSON:
- O Rapto de Miss Damby
- Os Forçados da Ilha Sem Nome
- Um Crime nas Ruas de Nova Iorque
- O Tenebroso Mistério do Bairro Chinês
- A Mulher Jogada aos Dados
- A História Sem Nome dum Homem Sem
Pernas
- O Clube dos Gangsters
- Um grito no 65° Andar
- A Dança do Sabre
- O Mercador do Crime
- O Navio Sem Pátria
- O Penitenciário 1022
- Chang Contra Savil
- Uma Batalha no Pacífico
- Gregor Mão de Ferro
- O Bruxo do Oriente
- Savil Contra Savil
- A Vingança de Chang
- Um Golpe à Traição
- A Última Proeza de Savil
XIII - Algumas das suas obras sobre
figuras da História:
1951 - A Vida Grandiosa do Condestável
1952 - O Drama e a Glória do Padre
António Vieira
1955 - O Marquês de Pombal, o Homem e a
sua Época
1960 - Fernão Mendes Pinto
XIV - Outras (das suas muitas) obras de
ficção:
1922 - Hugo, o Pintor
1923 - Delicioso Pecado
1923 - A Audácia de um Tímido
1928 - Anastácio José
1926 -Entre Vinhedos e Pomares
1930 - O Preto de Charleston
1948 - O Cavaleiro, o Monge e o Outro
1969 - O Menino entre Gigantes e muitas
outras num total de mais de 200 títulos, pelo que foi considerado o escritor
mais fecundo da língua portuguesa.
A 10 de Julho de 1970, foi agraciado
com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Tiago da Espada.

DOMINGOS CABRAL DA SILVA
»»» Publica-se aos dias 15 e último de cada mês! «««

Saudações Policiárias