33.ª colaboração – A PERSEGUIÇÃO
(por: LUÍS CORREIA)
O pobre do Fortes gemia ainda
quando o deixámos no Posto de Socorros. Quanto ao Seromenho - chamado à pressa
- irrompeu pela sala, levou a mão à cabeça, e nem foi preciso dizer-lhe para
tomar conta do Galhardo pois que as suas meninges retemperadas pelo evoluir da
acção pareciam funcionar em pleno, agora. Assim, rapidamente se apercebeu
daquilo que o Matos queria dele e acabámos por nos meter de novo no carro em
direcção à casa do falecido Padre, onde era to encontrarmos a Margarida,
provavelmente fazendo as malas, ainda.
Logo que entrámos na vereda
que dava acesso à moradia mal tivemos tempo de nos desviarmos do carro que
irrompeu bruscamente na curva, roçando ainda a chapa dianteira no farol do
nosso carro, desfazendo-o com estrondo. Talvez por isso, ou mesmo por isso, o
Matos saltou do carro e postou-se a meio do caminho enquanto ia descarregando,
mais por raiva do que com a certeza de acertar, a pistola, em direcção aos
pneus da viatura que se afastava.
Depois, fazer uma inversão de
marcha naquele local, foi trabalho para resultar nalgumas amolgadelas contra as
paredes de pedra meio solta e, com alguns minutos de atraso, la conseguimos
prosseguir no caminho que a Margarida Melo nos indicava ao longe, através de um
rasto de poeira.
34.ª colaboração – MANUEL ROCHA
(por: SAMUEL T.)
Manuel Rocha ia com pressa
tinha partido às 5 horas da manhã de Santarém, onde carregara fardos de palha,
e o raio do camião não parava de abanar nas curvas, devido à carga alta.
Tinha de deixar 50 fardos em
Paredes do Couro e distribuir mais alguns lotes por outras terreolas, passando
por “estradas” cheias de buracos e estreitas “p´ra burro”.
“Vamos apanhá-la, caramba… ela não
pode escapar” – rugia o Vargas carregando no acelerador sempre que podia e metendo
mudanças como se fosse num rallye.
O Rocha, depois da
distribuição queria ir para casa e comer qualquer coisa de jeito que o fizesse
esquecer a comida de restaurante, que lhe dava cabo do estômago, queria ver a
mulher e o filho. E dormir, dormir o suficiente para se sentir recuperado e
recomeçar nova “tirada”.
EFE Mendes estava com medo, -
se é que ele podia ter medo - da forma de conduzir do Matos Vargas.
Poucos minutos antes passara
por si um carro, conduzido por uma mulher que quase o fizera sair da estrada. “Esta gente anda doida” pensou o Rocha, pensando em tudo o que via na estrada. Depois, os seus olhos
abriram-se-lhe muito, em espanto, e sentiu quase de imediato um estrondo na
parte fronteira do camião. Sentiu-se projectado contra o vidro e… nada mais!
Abaixo do seu corpo, um carro,
agora mais pequeno, quase passara em folha, como amalgama de ferro retorcido,
por baixo da cabine.
35.ª colaboração – UM BARRIL DE PÓLVORA
(por: LOURDES C.)
O Inspector Rodriguinho
recebeu o recado do Matos Vargas sentado à sua secretária na Sede da PJ.
Tinha mandado o Vargas tratar
do assunto em Paredes do Couro porque estava convencido que haveria uma ligação
entre aquele caso e a fortuna repentina que alguns habitantes do local iam
amealhando em velocidade nada de acordo com as margens de lucro na pecuária e
na agricultura.
A investigação começara por
uma questão quase sem importância como começam algumas questões. Havia cerca de
dois anos, um taberneiro dera um tiro de caçadeira num indivíduo que supostamente
se andava a fazer à mulher daquele. O assunto quase caíra no esquecimento,
depois. O ofendido retirara a queixa e o julgamento resultara numa pena quase
simbólica para o taberneiro, que ficara, no entanto, proibido de ter caçadeira,
duram te algum tempo.
O então ofendido metera-se,
mais tarde, noutra alhada mais simples dado que daquela vez não levara nenhum
tiro. D. Juan por vocação, acabara sendo detido por ter despojado uma amante de
algumas das suas joias de família e, por acaso, fora o Inspector Rodriguinho
que, estando de piquete, se encarregara de tomar nota das suas declarações.
A princípio não se apercebera
de nada, era um caso relativamente simples, e assim parecia continuar. No
entanto, o D. Juan falhado, certamente porque vira muitos filmes policiais,
surpreendera-o ao propor-lhe um acordo.
(Continua no próximo número)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 4 de Novembro, com os textos do 36.º Episódio, “A REVELAÇÃO”, de: LUÍS CORREIA; 37.º Episódio, “UM SOLDADO INTELIGENTE”, de: DANIEL SILVA e o 38.º Episódio, “VER A MORTE”, de: DANIEL SILVA, todos publicados na Secção “Código Secreto” n.º 246,
Jornal “Barlavento” (1 de Dezembro de 1988).