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quinta-feira, abril 30, 2026
O DESAFIO DOS ENIGMAS -
edição de 1 de maio de 2026
EIS O QUINTO PROBLEMA DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”
Com mais um grande Convívio Policiário no horizonte, agendado para o dia 31 deste mês, a partir das 12h30, no restaurante Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra, onde serão entregues os prémios conquistados pelos policiaristas que mais se distinguiram no Torneio do Cinquentenário de “Mistério… Policiário” (Mundo de Aventuras – 1975-2025), bem como os prémios conquistados pelos participantes do “Torneio de Verão–Nove” e por Dectetive Verdinha, vencedora do Problema Desenhado a Prémio (do Convívio de 2025), publicamos hoje o Problema n.º 5 do Torneio “Solução à Vista!”, que decorre em paralelo com o Concurso “Mãos à Escrita!”.
LOCALDOCRIME
Torneio de Decifração
“Solução à Vista!” – 2026
Problema n.º 5
A Visita Noturna, de Vic Key
Era a primeira semana da
reforma do professor Martins e ele não poderia estar mais feliz. A bicicleta
deslizava alegremente na luz dourada do entardecer. Uma frescura consoladora
exalava dos campos verdejantes e um aroma delicioso enchia o ar. Percorria Portugal
de bicicleta, com a escassa bagagem nos alforges, sem pressas nem preocupações.
Seguia pelas redondezas do Rio
Minho, que lhe tinha proporcionado uma excelente tarde de pesca às trutas. Numa
curva do caminho, deparou com um edifício antigo e pitoresco, que exibia o
letreiro “Estalagem do Rio” e promessas da melhor sopa de pedra da região.
Apressou-se a descarregar a bicicleta e a acondicioná-la sob o telheiro.
Depois de jantar, foi
convidado para uma animada partida de dominó. Ficou sentado entre dois
pitorescos hóspedes: à sua esquerda, o espirituoso Pinto, relojoeiro de
profissão e cómico de vocação. Não usava óculos, coisa rara no ofício. À sua
direita, o excêntrico Coelho, reformado e canoísta, sempre a censurar-se de “já
ser tão tarde e ainda estar acordado”, mas jogando com entusiasmo, rodopiando
cada peça com ar dramático antes de a bater ruidosamente na mesa – e no
processo enfiando o cotovelo na cara do nosso pescador de trutas. Do outro lado
da mesa, o compenetrado Raposo, ourives em viagem de negócios, contrastava com
a animação geral, sempre silencioso, considerando cada jogada com um ar grave e
sério. Talvez por deformação profissional, observava atentamente e comentava os
anéis e outras peças de ouro usadas pelos presentes.
A empregada Rosa, uma jovem
corada e de ar simpático, com um acentuado estrabismo, abastecia os convivas de
café e brandy. O Coelho parecia mais apostado em fazê-la rir quando a bandeja
vinha mais carregada. Tudo sob o olhar divertido do dono da casa, Gonçalves de
seu nome, anafado e jovial, como convém a um estalajadeiro. Ao contrário do que
é comum no ofício, não tinha pressa nenhuma de mandar os fregueses para a cama
e servia-se copiosamente de conhaque.
Quando se foi deitar, o
professor Martins estava tão agradavelmente cansado que mal conseguiu anotar
alguns pensamentos no seu diário. Por volta das três da manhã, foi acordado do
seu sono tranquilo por um ruído invulgar. Havia mais alguém no quarto! Um raio
de luar caía precisamente sobre a sua bolsa de tabaco, pousada numa cadeira ao
pé da cama. Focou o olhar na obscuridade do quarto e pareceu-lhe desenhar-se
uma sombra humana! Da escuridão emergiram umas mãos cautelosas que, para seu
espanto e certo temor, desataram a vasculhar os seus pertences. Ainda agarrou o
intruso pelos pulsos, mas este libertou-se violentamente, ferindo-lhe a mão com
o relógio de pulso, e fugiu pelo corredor, com passos ligeiros. Incrédulo e
abalado, apressou-se a fechar a porta à chave.
Pela manhã, desceu para o
pequeno-almoço. Mal tinha começado a relatar o sucedido ao dono da estalagem,
uma jovem de longos cabelos castanhos transpôs a porta. De estatura mediana,
blusão de camurça com franjinhas, ar de cow-girl e botas a condizer. “É a
inspectora Zélia, que vem todos os dias aqui tomar café...”, segredou o dono da
casa. “Uma estrela em ascensão na Judiciária, ao que dizem! Já lha apresento…”.
Retorcendo as pontas do bigode, o professor Martins apreciou o aperto de mão
firme da notável polícia, e ficou espantado com tamanha perspicácia, quando, em
acto contínuo, ela lhe olhou para a mão esquerda e perguntou, com um sorriso:
“Andou à bulha com os gatos, senhor professor?...”. A Inspectora ouviu o seu
relato, observou atentamente todos os presentes e ficou pensativa durante
alguns momentos, e disse, com convicção: “Creio que o seu visitante nocturno
está aqui connosco, caro professor!”. Chamou a pessoa de quem suspeitava e
perguntou-lhe, sem rodeios: “Passeou muito esta noite?...”. Entre desculpas
atabalhoadas sobre “insónias” e “uma ligeira cleptomania”, a sombra nocturna
acabou por confessar as suas culpas, prometendo solenemente que não repetiria a
façanha. O professor Martins e o anfitrião Gonçalves ficaram deveras
impressionados com o raciocínio da inspectora, que não deixou de aconselhar:
“Para as insónias, experimente chá de camomila... ou ainda acabam por lhe
receitar chá de marmeleiro!...”.
Ficaram em silêncio a vê-la
afastar-se, com as suas magníficas botas. O dono da casa estava exultante: “Eu
não lhe disse que ela é sensacional? Desvenda mistérios enquanto bebe um
café!”.
E pronto, por agora, ficamos à
espera das vossas propostas de solução a este quinto problema, que devem ser
enviadas até 31 de maio de 2026, através dos seguintes meios:
a) - por email, através
do endereço eletrónico: salvadorsantos949@gmail.com;
b) - por correio,
através do endereço postal Salvador Santos
Rua Quinta do Modelo, 40 / 2820-261 Charneca
de Caparica;
c) - entregando em mão
própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.
E, já sabem, não se
esqueçam de identificar a proposta de solução enviada com o vosso nome (ou com
o pseudónimo adotado).
PARTICIPEM!!!
Por último, recorda-se
que, conjuntamente com a proposta de solução deste problema, os nossos
concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 4.º problema do torneio, cuja
solução de autor será publicada na próxima edição d’ O Desafio dos Enigmas.

TORNEIO DE DECIFRAÇÃO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS
“SOLUÇÃO À VISTA!” – 2026
REGULAMENTO
1. O
torneio de decifração de enigmas policiários é aberto a todos os leitores do
jornal AUDIÊNCIA GP e do blogue Local do Crime, não necessitando de inscrição
prévia
2. O
torneio será constituído pelos enigmas apresentados ao concurso “Mãos à
Escrita!”, que serão publicados ao longo do ano de 2026.
3. As
propostas de solução de cada enigma deverão ser enviadas até ao último dia do
mês da sua publicação, para o email salvadorsantos949@gmail.com ou para o endereço
postal Rua Quinta do Modelo, 40, 2820-261
Charneca de Caparica.
3.1. A partir da prova n.º 2, as propostas de solução deverão ser
acompanhadas de pontuação atribuída ao enigma que constituiu a prova anterior
(o enigma que constitui a última prova do torneio, da autoria do orientador da
secção O Desafio dos Enigmas, não será pontuado).
3.2. As pontuações a atribuir, entre 5 e 10 pontos, terão como objetivo
definir a ordenação da tabela classificativa final dos enigmas concorrentes ao
concurso “Mãos à Escrita!”, a decorrer paralelamente.
4. Cada
proposta de solução será classificada entre 5 e 10 pontos, correspondendo 5 à
simples presença e 10 à solução integral do enigma, sendo as pontuações
intermédias definidas de acordo com o grau de resolução.
4.1. Em cada prova, das propostas de solução enviadas serão
selecionadas pelo orientador da secção as três melhores (as mais criativas e
originais), que receberão 3, 2 e 1 pontos. Esta pontuação servirá apenas para
desempate em caso de igualdade pontual entre concorrentes no final do torneio.
5. Será
vencedor do torneio, o concorrente que no final acumule o maior número de
pontos referidos em 4, sendo distinguido com a Taça Dic Roland.
6. Os
concorrentes posicionados nos dois lugares subsequentes da classificação final
serão distinguidos com as Taças Rip Kirby e Avlis e Snitram.
7. Os
classificados entre o quarto e o décimo lugar serão distinguidos com medalhas
de participação.
8. Os casos
omissos serão resolvidos pelo orientador da secção O Desafio dos Enigmas, não
havendo recurso das decisões tomadas.