🧐 POLICIÁRIO 🕵️
Episódio 10
10. ª colaboração - "Sob o aroma do café"
(por: VÊ PONTO)
A primeira questão que quis
ver satisfeita relacionava-se com a morte do padre e, acompanhado por duas
canecas de café fumegante e aromático, o Matos esclareceu-me sobre o pouco que
sabia:
-O Cabo Seromenho já me falou
de si e de muitas outras coisas. Quero, aliás, que fique bem claro ter
presente, à chegada a esta aldeia, a intenção de pedir a sua colaboração, pois
fiquei a par da predilecção que tem por Paredes do Couro, como local onde
descansa antes de mais uma semana de actividade. Mal me vejo aqui, sou
compelido a incluí-lo no topo da lista de suspeitos, até porque a primeira
pista que recolhi foi um haver seu, ainda por cima pessoal, e encontrado ao
lado de outro morto que não o que me trouxe a este sítio.
-Concorde que só o cachimbo,
por si, não prova rigorosamente coisíssima nenhuma...
-Ponha-se no meu lugar: na
primeira saída à procura de indícios para deslindar um caso que mete um morto
desaparecido, dou de caras com um outro crime a frio e com uma série de
testemunhas que, entre prantos e preces, me afiançam ter o pároco discutido
consigo, minutos atrás, facto que o exaltou de tal modo que ele fugiu de si
como se do diabo fosse.
-Sim, haverá por aí um mal-entendido,
pelo menos o homem parece que embirra ou embirrava comigo, tal o modo brusco
como me dirige a palavra. Mas, depois, foi-se como veio. Só não percebo essa do
meu cachimbo perto da vítima-insisti.
-Pois é, encontrei-o perto da vítima.
Ora, não me foi difícil detectar o seu nome gravado na boquilha do objecto. Ao
soletrar Efe Mendes alguém me deu a entender que você devia rondar - foi o
termo - ainda por perto, entre o pinhal e o caminho para Paredes do Couro; - dito
isto, deu uma golada, compenetrado, na caneca.
(Continua no próximo número)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 17 de Junho, com o texto do 11.º Episódio, “Um polícia esperto”, de: VÊ PONTO, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 226,
Jornal “Barlavento” (30 de Junho de 1988).