📚 Este é
o vosso Blogue RO! 👦👧👨👩 👀
⌛🌷🚦 https://reporterdeocasiao.blogspot.com/
️🔍
🔦📂 reporter.de.ocasiao@gmail.com ️📱
💑 🎓 Concursos ♛ "Rainha” 👸 e “Rei” 🤴 🏰
"Homem" 👨 e "Mulher" 👩 dos "GOSTOS"!👌
🧐 POLICIÁRIO 🕵🂧
🔎 Romance Policiário 🔍
CAPÍTULO ONZE
Basta de Brincadeiras!
De: Onaírda
Resumo dos capítulos anteriores
Quem não os leu não perdeu grande coisa. Esta história
é escrita por vários policiaristas com a mania que são escritores. Para começar
temos o Tempicos uma espécie de engatatão, já fora de prazo. Depois vem a Mary
Lou da Broadway – dizem que é actriz.
Por cá vive a sua sobrinha Kátinha, já a pedi-las… Depois
intromete-se o beato Novena de mãos pegajosas e de conselhos duvidosos.
Onaírda anda sempre de gatas, atrás das gatas, mas só
apanha copinhos de geropiga.
Jeremias só escreve heresias. Boavida está na maior,
cremos que na praia.
Por fim Zé do Rosso queria dar mais uma cambalhota, mas
faltou-lhe a gasolina. Arnes toma conta da virgem Kátinha ali para os lados da
Trofa. Perceberam o enredo? Ainda bem!
Vamos lá falar a sério. Basta de brincadeiras!
Onaírda saiu de casa para se ir encontrar com Mary Lou. Tinha um mau
pressentimento, a coisa não iria sair tão bem como no primeiro encontro. Mary
Lou até lhe prometeu que ele a acompanharia no seu regresso aos States. Depois
veriam se valia a pena juntarem os trapinhos e passarem a viver como um casal
normal, tal e qual como o amigo Cavaco gosta que sejam – apenas normais. Sem
desvios e desvarios anormais. Onaírda transportava no pensamento o objectivo de
se relacionar intimamente com Mary Lou, enquanto ela aguardasse o regresso às
terras do Tio Sam. Coisas sem importância. Seriam intimidades como se faz num
teste a um Vinho do Porto – prova-se, se for bom, saboroso e encorpado,
continua-se. Em caso contrário deixa-se e muda-se. Foi, é e será sempre assim a
vida.
Tempicos marcou o encontro com Mary Lou no dia 25 de
Abril. Onaírda encontra-se dois dias depois com a beldade luso-americana,
estrela brilhante da Broadway. Marcam segundo encontro para quatro dias depois
na Alameda, junto à Fonte Luminosa. Coincidência era o 1º de Maio e Onaírda
esqueceu-se. Quando Mary Lou se aproximou dele, encostado ao rebordo de uma
fonte onde a água era mais castanha do que límpida e azul, fê-lo em simultâneo
com uma multidão ululante, bradando gritos de revolta, querendo melhores salários,
melhores condições e maior segurança. Pois é, isso também Onaírda queria, mas
tinha de se contentar com o que tinha e não ter inveja dos outros e dos seus
bens.
Mary Lou foi logo directa ao assunto.
- Amigo (?) Onaírda. Aproximei-me de si, não para ter o
grato prazer de o conhecer ou louvar-lhe as boas intenções que diz que teve – e
eu não acredito - para com a minha extremosa mana Nelinha. Vim a Portugal para
esclarecer a sua participação na morte dela.
Onaírda ficou preocupado e confirmou os receios que
teve quando saiu de casa. Mas deixou Mary Lou continuar a falar
- A minha sobrinha Katinha Vanessa, que agora está a
viver comigo em New York, depois que conseguiu deixar aquele lar opressivo de
família adoptiva na Trofa, contou-me que a sua mãe Nelinha foi assassinada no
Museu do Teatro. Segundo o que contaram à Katinha o suspeito número um era o
Onaírda. Apesar de estarem presentes todos os outros padrinhos de sua mãe, as
provas apontavam todas para o Onaírda. O móbil do crime tinha sido um violento
ataque de ciúmes por causa de Tempicos e do beirão dos aceleras, que resultou
que o Onaírda queria que a Nelinha o acompanhasse para a sua adega de Sintra (a
boa jeropiga faria com que ela o aceitasse de novo), e como ela resistiu,
projectou-a da janela do 1º andar, que fez com que a dita fosse cair em voo
rasante para a mata, ali ao lado, do Museu do Traje. Tipo irascível é que é o
Onaírda se isto for verdade….
Mary Lou calou-se e aguardou as explicações do detective de Sintra
- Cara Mary Lou! Esta conversa não permite que possamos conviver daqui em
diante. Conheci-a, gostei de si, mas acabou-se. Siga a sua vida que eu cá
seguirei a minha. Mas quero contar o que aconteceu realmente no tocante à morte
de sua irmã. Fui realmente acusado da morte da Nelinha nas circunstâncias que
sabe. Estive detido na PJ (nem se ralaram que eu era um antigo inspector
credenciado e colega de Tempicos). Fui interrogado durante vários dias e
confessei o crime mais de cem vezes. Mas a PJ não se convenceu, disse que eu
estava a esconder a verdade e libertou-me. Segundo sei virou-se para outros
suspeitos, mas não obteve provas concludentes e o processo arrasta-se a caminho
da inexorável prescrição legal, que são 30 anos nestes casos. Nunca contei a
verdade. Omiti sempre quem devia ser o autor da morte da Nelinha, mas hoje, e
em face de estar perante uma mulher bonita e que quer ser esclarecida, o que
não acontecia com os inspectores da Judite, sou obrigado, por imperativo de
consciência a contar toda a verdade e só a verdade.
E Onaírda prosseguiu:
- Não sei em concreto quem matou a Nelinha. E nem seria
justo da minha parte estar agora a apontar, com subtileza, o autor do
homicídio. Apenas sei que a Nelinha foi atirada da janela de um primeiro andar
para o exterior por alguém e que eu não fui essa pessoa. Poder-lhe-à parecer,
então, estranho que eu tivesse confessado o crime na Judite, quando não tinha
sido o autor do mesmo.
Onaírda passou a mão pela testa para limpar umas gotas
de suor e afagou os seus cabelos longos, louros e encaracolados. Parecia mais
magro do que realmente era. Na realidade pesava 60 quilos e agora parecia que
pesava 40. Continuou a sua narrativa. Mas percebia-se que Mary Lou não estava a
embarcar na conversa de Onaírda.
- Está provado que eu, Onaírda, não compareci ao
Convívio da Tertúlia da Liberdade que se realizou em 2006 no Museu Nacional do
Teatro em Lisboa. Andava com azia, tipo como aquela do árbitro Jorge Coroado. A
minha ausência foi tão notada que todos os presentes ainda hoje se lembram e
quando foram interrogados realçaram este facto. Nem há fotos da sua presença ao
lado dos confrades do Policiário, todos contentes e de sorriso aberto, tipo
Colgate. Entre os presentes estavam todos os padrinhos da Nelinha sobejamente
conhecidos, que se faziam amigos uns dos outros, mas andavam todos ao mesmo, de
per si, atrás da afilhada. Seria um deles o assassino, mas quem? Francamente
não sei. Porque confessei o crime? É fácil de explicar. Uns dias antes tinha
sido preso pela Polícia por andar a dar milho aos pombos no Rossio. Foi
constituído arguido e o TIC já tinha ultimado o processo para enviar ao
Tribunal. Tempicos soube do caso e tentou ajudar-me. Convenceu-me que eu
arriscava uma pena entre os 15 e os 20 anos por aquele crime. Ele podia
ajudar-me se eu confessasse que tinha morto a Nelinha, porque a pena deste
crime não ultrapassava os 2 anos. Admirei-me e como vi que tinha vantagens com
a situação, não me importei de confessar que tinha morto a Nelinha e assim
livrava-me do crime de dar milho aos pombos. O Tempicos tinha influência no
meio judicial e arranjou as coisas a preceito. Na realidade Tempicos foi um
verdadeiro amigo.
E Onaírda concluiu:
- Já me disseram que quem matou a Nelinha foi o
Detective Tempicos. Mas eu não acredito. Ele é um santo, uma joia de pessoa.
Mas também já me disseram que se ele é um santo, será de pau carunchoso.
Mary Lou ouviu
este arrazoado, torceu o nariz, abriu a malinha de mão e sacou um pequeno
revólver para disparar sobre aquele que lhe tinha movido tão grande sede de
vingança. Mesmo que não fosse ele o assassino de sua irmã, ela faria justiça
"a direito por linhas tortas" (se calhar é melhor dizer "por torto,
mas a linhas direitas"). E só matando alguém ela ficaria descansada. E
assim livre desta ideia, poderia dedicar-se á sua querida sobrinha.
Mas uma pontinha de sorte beneficiou Onaírda. Os
olhares de mais de 50 mil pessoas estavam concentrados nele e na Mary Lou. Ele
era elegante e ela era boa como o milho que dava aos pombos. Estes 100 mil
olhos deveriam estar concentrados naquele sindicalista que bravamente no palco
os incitava a irem para a luta pelos seus direitos. Mas de conversa para boi
dormir estavam eles fartos. E assim preferiam estar a olhar para aquele casal.
E Mary Lou não teve outro remédio senão guardar o revolver no interior da malinha.
Se disparasse já não voltaria para a Broadway. Testemunhas não haviam de
faltar. Quando acabou de arrumar o revolver já não viu Onaírda. Foge!....