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quinta-feira, 12 de março de 2026

👣 PEGADAS -- ANEXO DA EDIÇÃO N.º 081 - O GRÁFICO *** MEMÓRIAS DO POLICIÁRIO! - (Por: O Gráfico) - 081

🕵️ O Gráfico 🧐

👣 Pegadas...

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*** NAS “Pegadas” desta memorável 81.ª Edição das Memórias do Policiário – O Gráfico, recordamos, um Problema Policiário de “MAGNO” publicado em 28 de Março de 1993 na Secção “POLICIÁRIO” no Jornal “PÚBLICO”, Coordenado pelo “Inspector Fidalgo”. Competição: “Supertorneio Policiário 1993” - Prova nº 2

 

http://clubededetectives.pt/p_magno_19930328.html

 

http://clubededetectives.pt/p_magno_19930328s.html


O Gráfico

 


 

Problema Policiário

 

Autor

Magno

 

Data

28 de Março de 1993

 

Secção

Policiário [91]

 

Competição

Supertorneio Policiário 1993

Prova nº 2

 

Publicação

Público

 

 

O INSP. ALTURAS E A MORTE DO MAGNATA!...

Magno

 

O Sr. José Travassos, grande proprietário e possuidor de avultados meios de fortuna, viúvo, de 61 anos, quase cego e sem descendentes, vivia na sua grande vivenda acompanhado de três empregadas: D. Maria, de 38 anos, que já era governanta da casa há cinco anos, pouco antes da morte da esposa do patrão, austera e antipática; Beatriz, de 35 anos, cozinheira ao serviço há seis anos, faladora mas sempre de mau humor; e Judite, de 29, criada de quartos, admitida ao serviço há meses, mas que, apesar da sua jovialidade, não gozava de grandes amizades.

Mesmo assim, o ambiente era razoavelmente respirável, pois em devido tempo o advogado do patrão, o dr. Moisés, havia informado o pessoal de que, quando o sr. Travassos falecesse, cada uma herdaria a décima parte da sua fabulosa fortuna – o que lhes proporcionaria uma choruda conta bancária –, sendo o restante herdado por um amigo íntimo que só o sr. Travassos conhecia e cujo nome constava do testamento. Para o pessoal, este último pormenor desagradava-lhe, pois sabiam das tendências pouco ortodoxas do homem, mas de qualquer forma o que iriam herdar um dia chegava e sobrava para terem uma vida bem regalada.

Sucedeu, porém, que, numa bela manhã do passado mês de Fevereiro, a governanta comunicou ao médico particular do sr. Travassos que o patrão amanhecera morto nos seus aposentos. De imediato, o prof. Antunes deslocou-se à residência do seu velho amigo, tendo pessoalmente confirmado a sua morte, mas, perante a cor e manchas da sua pele, suspeitou logo de envenenamento. Em face de tal hipótese, telefonou do quarto do defunto para o seu amigo inspector Alturas, que passada meia hora entrava na residência, acompanhado pelo médico legista, dr. Baixinho.

A brincar, de mão em mão, com o chaveiro do carro – como sucedia sempre nas ocasiões mais complicadas –, o inspector observava atentamente as janelas do quarto do magnata, olhava o corpo da vítima, que estava a ser observada pelo dr. Baixinho, o chão e os móveis, quando o médico legista lhe segredou que a morte tinha ocorrido cerca da meia-noite e, pela experiência adquirida ao longo de tantos anos nesta área, a sua causa tinha sido envenenamento. Deixando o companheiro no seu trabalho e como não vislumbrasse mais nada de suspeito, o inspector Alturas abandonou o quarto e dirigiu-se para o “hall”, pedindo à governanta que reunisse o pessoal numa das salas da casa, não antes de levantar o chaveiro que, casualmente, havia caído ao chão.

D. Maria chamou Beatriz e Judite e todos se encaminharam para a Sala Verde, decorada com mobílias de castanho, cujas cadeiras forradas a palhinha estavam distanciadas umas das outras, intercalando com móveis de estilo requintado. A pedido do inspector, elas sentaram-se com compostura. Beatriz era baixa e meia anafada e, além de uma touca, vestia um grande avental de cores bizarras. Alturas aproximou-se dela e pediu-lhe que relatasse o que tinha feito na noite anterior.

– Olhe, sr. inspector, preparei o jantar do senhor, um caldo de galinha, torradas e chá, pois o sr. Travassos andava a comer pouco – começou a cozinheira, acrescentando – Depois, a D. Maria levou a bandeja com a comida para o senhor. Como sempre, pus pouco sal, por causa da hipertensão.

– Claro! – disse o inspector, inclinando-se para pegar nas chaves que tinham caído no colo da cozinheira.

– E que mais fez? – volveu o inspector.

– Oh!, depois foi o nosso jantar, ligeiramente suculento. Comemos mesmo na cozinha e, depois de arrumar tudo, fui deitar-me – acrescentou Beatriz.

– Mas não viu nada, nem um gesto que lhe despertasse a atenção? – insistiu Alturas.

– Não, não vi nada de anormal! – arrematou a cozinheira.

O inspector estava habituado a lidar com casos como este. Já lhe tinham passado muitos pelas mãos. Mas continuava pensativo, mexia nas chaves, fixava os quadros da sala (estava ali uma fortuna!), enquanto dava uma volta sobre si mesmo e se distanciava. Olhou para Judite. Era alta, elegante e até bonita, com aquela saia larga axadrezada e um corpete bem feito. Calmamente dela se aproximou.

– E você, o que foi que fez ontem à noite? – inquiriu.

– Estava no meu quarto – começou por afirmar a criada –, mas por volta das 20h fui ao “hall”, onde a D. Maria me entregou a bandeja do jantar, para servir o sr. Travassos. Aliás, como é habitual.

Atento a estas declarações, o inspector curvou-se e levantou as chaves que voltaram a cair ao chão depois de bater no meio das pernas de Judite.

– Notou alguma diferença no seu patrão? – perguntou.

– Talvez, sr. inspector – acrescentou a rapariga –, parecia mais debilitado!

– E falou consigo? – persistiu Alturas.

– Pouco… só lhe dei o jantar na boca e vim-me embora A seguir fui jantar e regressei ao meu quarto.

O inspector Alturas estava um pouco impaciente e insatisfeito. Deu uma volta em torno da mesa redonda que ocupava aquele recanto da sala, tilintou as chaves em atitude pouco conexa com a sua maneira de estar e olhou, de repente, para a governanta. Era uma mulher interessante, apesar da sua sisudez. O casaco curto azul-marinho caía-lhe lindamente em combinação com a saia “évasé” de cor grená. Sempre gostou de apreciar pessoas bem vestidas. Instantaneamente, deu dois passos e já estava junto da governanta.

– D. Maria, a senhora pode também explicar-me o que fez ontem à noite? – interpelou.

– Como é hábito – disse a governanta com ar de enfado –, depois de verificar se tudo estava em ordem, fui à cozinha ver se a Beatriz já tinha o jantar do sr. Travassos em condições de o servir. Como ela é cuidadosa, nem o provei. Saí da cozinha, atravessei as duas galerias até ao “hall”. Aí, entreguei a bandeja à Judite, que acabava de chegar e levou-a aos aposentos do sr. Travassos.

– D. Maria, é possível alguém ter entrado nesta casa na noite passada? – indagou o inspector, enquanto levantava do seu regaço as chaves que lhe voltaram a cair das mãos.

– Não, sr. inspector. Como sabe, o sr. Travassos era pessoa muito abastada, com um valioso recheio cá em casa, e há muito que temos um sistema de segurança que impossibilita alguém de assaltá-la – rematou a governanta.

O inspector voltou-se repentinamente e circundou várias vezes a mesa, pensando nas declarações que acabara de ouvir. Congeminava intimamente. Subitamente parou. O ar impaciente desapareceu e, aliviado, guardou as chaves. Acabava de suspeitar de alguém.

Quem e porquê?

 

 

 

Solução do Desafio

Autor

Magno

 

Data

25 de Abril de 1993

 

Secção

Policiário [95]

 

Competição

Supertorneio Policiário 1993

Prova nº 2

 

Publicação

Público

 

Solução de:

O INSP. ALTURAS E A MORTE DO MAGNATA!...

Magno

 

Solução apresentada por Galiza

 

A ‘chave’ deste problema, penso, gira em torno da adivinha popular ‘quando é que uma mulher abre as pernas e um homem as fecha?’ Resposta: ‘quando cai algo ao chão.’

Caracterização do magnata José Travassos:

1) ‘quase cego’.

2) ‘tendências pouco ortodoxas’.

3) ‘viúvo’ de uma mulher ‘austera e antipática’.

4) tinha uma confiança cega num ‘amigo íntimo’, que só ele conhecia e que herdaria em caso da sua morte 70 por cento da sua vasta fortuna.

Causa da morte:

1) envenenamento, concluiu o médico legista, pelas tonalidades da pele e manchas.

2) cerca da meia-noite.

3) embora padecesse de hipertensão e, por isso mesmo, evitasse o sal, esta doença não poderia ter provocado a morte súbita, já que não deu tempo a Travassos de utilizar o telefone que tinha no quarto.

Móbil do crime:

1) quem lucraria com a morte de Travassos?

Resposta: os “herdeiros”.

– 10 por cento a dona Maria.

– 10 por cento a Beatriz.

– 10 por cento a Judite.

– 70 por cento o “íntimo”" desconhecido X.

2) impossibilidade de o assassino ter vindo de fora, dado o ‘sofisticado sistema de segurança’ implantado na casa de Travassos.

Inquérito ao pessoal/herdeiros:

1) todos os dados coincidem.

2) ‘todas’ estiveram em contacto com a bandeja, sendo que a Judite foi a ‘última’.

3) inquérito do insp. Alturas às ‘três empregadas’, sentadas alegadamente ‘com compostura’.

– Beatriz (cozinheira) ‘apanhando as chaves do colo’.

– Judite ‘apanhou as chaves do chão depois de baterem no meio das pernas’.

– dona Maria (governanta) ‘levantou do regaço as chaves que lhe voltaram a cair das mãos’.

4) o insp. Alturas testou a feminidade das inquiridas, já que provavelmente terá concluído que o principal suspeito seria o X, que todos desconhecem.

5) na realidade, e agindo por instinto, as mulheres de saias tendem a amparar a queda de objectos no “regaço” ou “colo” abrindo ligeiramente as pernas, ao contrário dos homens, que as procuram fechar, mas não com os reflexos tão apurados como os femininos.

6) Judite não só não tinha adoptado uma postura feminina, dado que permitiu que as chaves passassem por entre as pernas, como não teve o instinto, já que também se encontrava de saias, de apanhar o objecto em queda.

7) em causa está a feminidade ou não de Judite, que, na ânsia de atenuar a morte rápida do magnata, afirmou que este já se encontrava ‘mais debilitado’.

8) na realidade, há grandes probabilidades de, apesar de ‘alta, elegante e bonita’, a Judite ser um pretenso José, que poderá ser identificado com o personagem X, amigo ‘íntimo’ do magnata de tendências ‘pouco ortodoxas’ (homossexual?), que lucraria não 70 mas 80 por cento da sua fortuna quando morresse.

9) contra a Judite há ainda o facto de ter entrado ao serviço apenas ‘há alguns meses’ e de Travassos estar ‘quase cego’ e, por isso, não o identificar como o amigo íntimo.

10) se se confirmam as tendências pouco ortodoxas de Travassos, não admira que a falecida esposa fosse ‘austera e antipática’.

Conclusão: na minha opinião, o inspector Alturas suspeita de que o amigo íntimo e Judite são uma e a mesma pessoa, que é quem mais lucraria com a morte do magnata.

Provou-o, através do subterfúgio de deixar cair o molho das chaves nos suspeitos, tendo em conta a teoria da velha adivinha ‘quando é que uma mulher abre as pernas e um homem as fecha?’

»»» 1993 «««

 





 

1 comentário:

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