# COM esta 56.ª Edição dos PPPP, dia 31 de Março, Terça-Feira, encerra-se a “2.ª Parte” dos “Primórdios da Problemística Policiária” - CICLO L. FIGUEIREDO – publicando-se a Solução do Problema - "COMO MORREU BARNABÉ LEÃO?" e respectivos comentários finais, pela escrita de Domingos Cabral (Inspector Aranha), o Coordenador da Secção “CORREIO POLICIAL”, do Jornal “CORREIO DO RIBATEJO”.
# NA divulgação da 57.ª Edição dos PPPP, a publicar-se no dia 15 de ABRIL, Quarta-Feira, entraremos na recta final destas publicações dando início ao CICLO A. ARAÚJO PEREIRA - "PROBLEMA POLICIAL".
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PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA
2.ª PARTE - CICLO L. FIGUEIREDO
* * * * *
SECÇÃO “O LEITOR É SHERLOCK HOLMES?”
P R O B L E M A S P O L I C I A I S
O leitor é
Sherlock Holmes?
COMO OS GRANDES POLÍCIAS DESCOBREM
OS CRIMES MAIS MISTERIOSOS
QUERE O LEITOR FAZER DE «DETECTIVE»?
SECÇÃO “O LEITOR É SHERLOCK HOLMES?”
SOLUÇÃO DO PROBLEMA
"COMO MORREU BARNABÉ LEÃO?",
PUBLICADO NO NÚMERO ANTERIOR:
1.ª – Barnabé Leão encontrou a morte às mãos do seu criado João da Silva.
2.ª – Chega-se a esta conclusão pelos sinais de pólvora nas costas dos dedos da vítima (o que prejudica a hipótese de suicídio) e pelas declarações do próprio criado que negou a possibilidade de um estranho ter entrado em casa para assassinar o industrial. João da Silva dispôs o cenário de maneira a dar à polícia a impressão de suicídio não tomando em consideração as marcas de pólvora nas costas dos dedos, que forçosamente o denunciariam. Isso indicava, sem dúvida, que Barnabé Leão, apanhado de surpresa, cobrira o rosto com as mãos quando notou que a possibilidade de fuga era inviável. A pólvora, com o impulso do tiro, foi chamuscar a pela das costas dos dedos, sendo impossíveis as marcas se Barnabé Leão tivesse disparado o revólver contra si próprio e excluída esta possibilidade somente João da Silva podia ser o assassino.
Uma carta de Barnabé Leão para sua mulher, encontrada na caixa forte algum tempo depois do crime, revelou que ele foi, por diversas vezes, assediado com pedidos de dinheiro que o criado lhe fazia sistematicamente.
Apurou-se, ao revistarem-se alguns papeis que pertenciam ao assassinado, que o criado tivera conhecimento de uma grave irregularidade legal praticada há anos pelo patrão, entrando para a sua casa como criado para se aproveitar dessa situação. Foi nos primeiros tempos tão bem sucedido nas ameaças com que intimidava o amo, que conseguiu obter, por diversas vezes, quantias bastante significativas. João da Silva continuava a insistir nas ameaças exigindo-lhe mais dinheiro, a que finalmente o patrão se recusou. Na noite do crime o criado estabelecera um "ultimatum" a que Barnabé Leão não se sujeitou, despedindo-o em silêncio. Foi então que o criado, receando que se invertessem os papeis, se aproveitou da ausência da cozinheira e da ruidosa passagem das bombas de incêndio na rua que não deixariam ouvir o tiro do revólver, resolveu matá-lo de surpresa.
O criado confessou mais tarde, quando preso, ter descalçado os sapatos na copa; aproximou-se depois da sua vítima, que se encontrava a ler, matando-o a tiro pela frente. Para o fazer apoderou-se do revólver do patrão, que se encontrava no quarto deste, limpou-o das impressões deixadas pelos seus próprios dedos, comprimiu a arma na mão da vítima, deixando-a depois cair ao lado do assento da cadeira. Momentos depois de consumado o crime voltou à copa, calçou os sapatos, entrou e saiu do gabinete de trabalho, comunicando o caso à polícia como se o industrial se tivesse suicidado.
* * *
FINAL DO CICLO
L. FIGUEIREDO
Com a republicação, ora terminada, dos problemas divulgados na Secção “O Leitor é Sherlock Holmes?”, iniciada a 25 de Agosto de 1929 no suplemento “Notícias Ilustrado”, do Diário de Notícias, damos assim por encerrado o capítulo que denominámos “Ciclo L. Figueiredo”, criador e responsável por aquela — e que ficou a ocupar o segundo lugar do pódio das mais antigas secções policiais entre nós publicadas.
A Secção conheceu a sua última publicação em 10 de Novembro daquele ano, encerrado com os seguintes textos:
“AOS CONCORRENTES:
...além das classificações do último problema policial, publicamos a lista dos nomes com direito ao diploma de “polícia amador”.
O director deste curso, que embarcará dentro de dias para Nova Iorque, em atenção ao interesse despertado pelos leitores do “Notícias Ilustrado”, regerá, por correspondência, uma nova escola de Polícia Científica com elementos muito mais completos e interessantes que decerto muito contribuirão para que em Portugal as pessoas apaixonadas por estes estudos adquiram os preciosos conhecimentos que nos outros países só são tratados por verdadeiras autoridades quer oficiais quer particulares.”
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“CLASSIFICAÇÕES DO 10º
E ÚLTIMO PROBLEMA:
Sherlock-Holmes, Lisboa, 18; John C. Rafles, Lisboa, 20; Alfredo Barros de Brito, Almeirim, 10; Telio, Lisboa, 10; Ralph, Coimbra, 20; Fantomas 2.º, Lisboa, 14; A Vaducar, Lisboa, 16; Marquesa de Valverde, Lisboa, 18; António Barrassocis, Lisboa, 18; Clara Bow, Lisboa, 18; Vidoe, Braga, 10; Orveland, Olhão, 10; Elmeiners, Lisboa, 20; Augusto Simões d'Oliveira, 10; Um Mealhadense - Mealhada, 10; O Águia, Olhão, 10; Artur Fox (Lince), 18; José Álvaro Pinheiro, Aveiro, 19; Imperador, Braga, 10; Quim Holmes, 10; Leonel, Vila Fernando, 10; Dolceviano, Lisboa, 10; Max Linder, Faro, 10; Randof, Lisboa 18; Charlot Gomes, Amadora, 10; Elisardo António Roque, 18; Gaiata do Lis, Leiria, 10; João Araújo, Alcobaça, 15; J. M., Vila Fernando, 19.”
* * *
“PROBLEMAS POLICIAIS
DIREITO AOS DIPLOMAS
DE “POLÍCIA AMADOR
Têm direito aos diplomas de “polícia amador” os seguintes concorrentes: João C. Rafles; Alfredo Barros de Brito; Augusto Simões d'Oliveira; Marquesa de Valverde; Telio; Elisiário António Roque, José Alves Pinheiro; Randof; Artur Fox (Lince); Armando Massano; Um Mealhadense; Elmeiners; Vidoc; Imperador; Leonel; J. M.; Cândido Guimarães; Águia; Tec X; Quim Holmes; Ralph; Atu Lupin; Renandof; Figueiral de Figueiredo; João Polícia; Charlot Gomes; Henit; Cefenef; Fosforo; Paula Pinto; Berlock Holmes; Fernando Gonçalves; Overland.”
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INFORMAÇÃO E
CONSIDERAÇÕES FINAIS
DO COORDENADOR
DESTA PÁGINA
1 – A “Escola de Polícia Científica”, a ministrar a partir de Londres por L. Figueiredo – conforme por ele anunciado – nunca chegou a marcar presença nas páginas do “Notícias Ilustrado”, nem por qualquer outra forma a Secção Policial teve sequência.
2 – Embora já aqui tenhamos, sucintamente, abordado o assunto (e apesar de não ser hábito tecermos comentários às soluções dos problemas que publicamos) entendemos que se justificará um pouco mais sobre o mesmo porquanto as de L. Figueiredo que temos vindo a divulgar merecem-nos alguns reparos, por imprecisões e omissões que poderão ter transmitido aos leitores menos conhecedores da modalidade uma ideia algo confusa quanto à forma de decifrar um problema policial – decifrações que deverão ser fundamentadas em conhecimentos, interpretações e deduções lógicas a extrair da leitura atenta dos problemas, e não de conjecturas sobre situações que ao solucionista foram omitidas.
Um rápido exemplo, com base na solução que hoje divulgamos.
No problema a que ela corresponde, publicado na passada semana, era dito que, tanto a viúva como a criada, “recusavam--se a acreditar que João Silva, o criado, tivesse cometido um assassinato na pessoa do seu patrão, porque os dois davam-se admiravelmente”. Todavia, na solução do autor, para justificar o móbil do crime, é contraditoriamente dito que o criado exercia chantagem sobre o patrão, assediando-o com pedidos sistemáticos de dinheiro, e que aquele entrara ao serviço da casa há dois meses para melhor se aproveitar dessa situação... Até poderia ser aceitável a versão se no problema fosse dada uma pista, pequena que fosse, que permitisse ao solucionista deduzir esses factos, mas...
Outro exemplo de deficiências – só mais um, para não sermos exaustivos:
Ao leitor, eventual solucionista, é dada a informação que “no escritório foram encontrados o industrial enterrado numa poltrona, morto com uma bala que lhe tinha penetrado no crânio pelo meio do frontal (...) e um revólver no assento da cadeira de braços, entre um dos lados e a coxa esquerda do cadáver, como se tivesse caído do seu punho”, e que “abaixo da ferida havia sinais de pólvora.”
Elementos estes mais que suficientes para determinar a existência de suicídio, porquanto:
– o furo da bala no meio do frontal inviabiliza aquela hipótese, por ilógica e muito difícil possibilidade de execução – tanto mais quando exercida por um canhoto, como indicia a presença do revólver ao lado da coxa esquerda do cadáver (ou, então, a um erro de encenação grosseiro do assassino)...
– porque os sinais de pólvora se encontravam debaixo da ferida, e não à volta desta, com os sinais característicos de um disparo à queima-roupa – ferida estrelada, chamuscada, etc.
Estes relevantes pormenores foram pura e simplesmente omitidos na solução, sendo apenas referido que “a pólvora, com o impulso do tiro, foi chamuscar a pele dos dedos da vítima” (numa atitude de defesa) “sendo assim impossíveis as marcas se Barnabé Leão tivesse disparado o revólver contra si.”
Como omitida também foi no problema um indício, por pequeno que fosse, que permitisse ao leitor suspeitar que as relações entre criado e vítima eram más – preferindo antes levá-lo a crer que eram excelentes...
Erros e contradições que foram cometidos em alguns outros problemas/soluções deste Ciclo – o que só referimos pelos motivos que já aqui citámos.
E ficamos por aqui, encerrando definitivamente o “Ciclo L. Figueiredo”.
Entretanto, a história dos “Primórdios” continua. Para a semana...
* * * * *
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DOMINGOS CABRAL DA SILVA
»»» Publica-se aos dias 15 e último de cada mês! «««




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