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domingo, 29 de março de 2026

Mary Lou, Mary Lou? Onde estavas tu? Romance ☝ EFL Dezasseis Episódios Mais Um! Oito Autores 2010 (TPL)

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🔎 Romance Policiário 🔍  

 


CAPÍTULO CATORZE

Bota-Fogo no Hotel



 De: Onaírda

 

O voo da Tap tinha chegado “na hora” ao Rio de Janeiro. No aeroporto Santos Dumont as formalidades foram reduzidas ao mínimo. Tratava-se de dois ex inspectores policiais e o motivo da sua ida a terras cariocas era muito fácil comprovar o mesmo. Deixaram rapidamente a aerogare e de táxi percorreram a Avenida Infante D. Henrique, passaram pela zona do Flamengo, ficando hospedados num hotel no Botafogo, pois daqui seria fácil deslocarem-se para a Favela Benjamim Constant. Encontrar-se-iam aqui com um advogado, que no seu escritório, lhes iria dar conta, em pormenor, dos tremendos números de uma herança. Os dois ex - inspectores seriam os beneficiados com uma benesse vinda dos céus e eram, naturalmente, os dois mortais mais felizes deste planeta. E para que esta felicidade fosse completa só faltava a Katia Vanessa para compartilhar com eles a dita cuja.

Só faltava saber se a Katinha Vanessa estava em Los Angeles ou na Trofa. Mas depois de formalizada a entrega da herança, descobrir a Katinha Vanessa seria fácil. O cheiro ao vil metal chega até longe, e ela logo o cheiraria qualquer que fosse o lugar em que pairasse a ver as modas. Pelo que consta outro padrinho, de certeza, não estaria a confessá-la – expurgando-a, de seguida, do pecado – no Convento de Santa Clara em Coimbra.

Mas vamos aos factos.

Como se lembram Onaírda foi internado no Hospital Júlio de Matos. Passados tempos estava praticamente curado. Tinha sido uma crise existencial passageira. Logo a seguir ao internamento recebeu e visita do policial ainda no activo, o Inspector Boavida. O detective Tempicos soube desta visita e não quis ficar atrás. Visitou Onaírda todos os dias enquanto durou o internamento. Tempicos diria mais tarde que estava a controlar o seu ex-colega, para evitar que ele viesse para o exterior pedir cigarrinhos aos transeuntes, como era costume ver-se e agora não sei se ainda será. Dantes era um ex-libris da Avenida do Brasil.

Certo, certo, é que Tempicos levava todos os dias ao Onaírda uma dúzia de pasteis de nata, 3 bolos de gema e duas fantas de ananás. Onaírda ficou-lhe muito agradecido com esta atitude “pastelnateira” do detective, tendo engordado cerca de vinte quilos, mas como era extremamente magro até lhe fez bem. Onaírda ficou tão reconhecido a Tempicos que teve uma atitude levada dos diabos, se, por acaso, corresse mal. Foi o caso de, solenemente, prometer ao Tempicos que lhe daria metade do património que daí em diante viesse a possuir, fosse de que género fosse. Tudo a “mielas”.

Palavra de Onaírda. Pois é, as coisas dizem-se de ânimo leve, mas o diabo tece-as. E o inesperado aconteceu.

Já os autores dos dois últimos episódios desta saga tinham alvitrado ao de leve que havia um herdeiro do Lúcio Tomé Feteira e que de certo modo estava ligado a um negócio que por causa do dito ainda não ter recebido o “guito” o tal negócio não se fez. Algum “bitaite" chegou ao conhecimento deles, mas nesta altura ainda não juntei as peças do puzzle. Pois bem, meus amigos, o tal herdeiro é o Onaírda, que como sabem o seu apelido junta-o à lista dos familiares e herdeiros de alguém que já se foi.

Onaírda foi notificado pelo tal advogado que tem um escritório luxuoso na tal Favela Benjamin Constant. Onaírda tinha vontade de mandar para as urtigas a promessa que fez ao Tempicos, mas este viu a carta do advogado na mesa-de-cabeceira da enfermaria e já não largou o Onaírda. O prometido é devido.

Partiram para o “Brasiú” e a sua missão foi bem-sucedida. Onaírda e Tempicos entrariam na posse da herança de imediato e o valor era muito elevado. Para além dos zeros correspondentes a uns milhares de euros ainda se podiam acrescentar mais uns quatro zeros.

Tempicos, naturalmente, tinha uma palavra a dizer quanto ao destino da herança e alvitrou que a Katinha Vanessa – a apaixonada dos dois padrinhos – também seria beneficiada com um terço do total da herança. E depois logo se veria, mas o melhor seria que a partir daí as relações entre os três fossem a “mielas”.

Onaírda concordou, havia agora que procurar a moça. Tempicos resolveu que ele próprio ia a Los Angeles e Onaírda vinha para a Trofa em Portugal e deslocar-se-ia a casa da família adoptiva da Katinha para saber o paradeiro dela.

A notícia desta herança correu pela imprensa carioca, passou para a internacional e em Portugal logo se soube dos dois afortunados. Estes resolveram ter uns dias de folga e resolveram ir dançar o “forró” lá para os bailaricos do Morro dos Cabritos. Tinham fama.

Estavam os dois compadres já de partida marcada para o fim do dia, quando da recepção do hotel surgiu pelo sistema de som o chamamento: senhor Onaírda e senhor Tempicos: esperam-nos na recepção a menina Katia Vanessa e o seu padrinho….

Surpresos dirigiram-se à recepção e lá estava, bela e elegante como nunca, a sua afilhada Katinha. Vinha acompanhada do seu padrinho, o tal do Ferrari rosso. Estavam de mão dadas e via-se mesmo que viviam uma autêntica lua-de-mel. Tinham visto a notícia da herança na comunicação social e vieram logo ter com os herdeiros, já que os três compadres tinham feito um juramento solene: o que era de um seria de todos. Katinha incluída.

Tempicos e Onaírda (o mais bonito) ensaiando uns passes do "forró" no calçadão da Avenida Benjamim Constant

Tempicos diria logo a seguir. Agora já nem é a” mielas”. Tem de se alargar o leque. Mas eu serei sempre o primeiro. A dançar o “forró”, claro.

Apêndices: 30 dias depois

1- O padrinho beirão, mal se apanhou com o "guito" no bolso, apanhou o avião directamente para Turim, via Madrid, e adquiriu o espectacular novo modelo da Ferrari. Claro foi com a côr "rosso". Não quis saber da Katinha para nada.

2- Tempicos, Onaírda e a Katinha regressaram a Lisboa. Onaírda foi á loja dos "gifts" comprar o jornal do dia e quando voltou já não viu nem o Tempicos e muito menos a Katinha. Conseguiu saber que tinham embarcado para o Tahiti, precisamente para o resort, onde já esteve instalado o Peter Pan. Onaírda sentiu-se desconsolado.

3- Onaírda foi novamente internado no Hospital Julio de Matos. Segundo informou o porteiro de serviço a um familiar, agora o caso é muito grave. Está podre de rico, mas é doido.




 

»»» VOLTAMOS, NO PRÓXIMO DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2026, DOMINGO DE PÁSCOA, COM A DIVULGAÇÃO DO CAPÍTULO QUINZE - Here We Go Again, de: ZÉ, DESTE IRREVERENTE ROMANCE POLICIÁRIO.



 

👌 FELIZ Domingo!



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