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quarta-feira, 13 de maio de 2026

"Não há crimes perfeitos!" - Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódio  6

 




6.ª colaboração - "Insólito desaparecimento"

(por: FREEMAN)

 

        Quando me bateram à porta daquela forma tão precipitada, a primeira coisa que me apeteceu foi, ao abri-la, desferir um potente murro na cara de quem me vinha importunar. Já com a mão no trinco, lembrei-me que poderia ser um dos pobres que me visitavam, para que a minha modesta contribuição minorasse um sofrimento que era da inteira responsabilidade da sociedade. Aliás, o vertiginoso aumento da criminalidade não era, também, senão um reflexo da má distribuição dos lucros por todos os envolvidos no processo da multiplicação do capital.

 


        Abri a porta e a minha prematura irritação desvaneceu-se perante a cara do cabo da GNR. "O que se passa" -perguntei-lhe com a certeza de que algo de grave o trazia ali. Gaguejando toda a confusão que lhe ia no pequeno cérebro, habituado apenas a dividir o salário pelo número de coisas que a doença do consumismo o obrigava a suportar mensalmente, o representante local das forças da ordem balbuciou: 

        - Ele… por acaso… não está aqui?!

        Quando ouvi a primeira palavra, solta por aquela garganta rouca de ansiedade, a imagem do padre assaltou-me. Sabia como as notícias se espalham velozes nas terras pequenas e decerto que, aos imaculados ouvidos do jesuíta, chegara já a notícia de que a virgem da sua irmã mais nova viera visitar a fera acossada ao seu reduto. O padre vinha, assim, saber o que se passara.

        Não, ainda não chegou, mas de certeza que dentro de pouco tempo me vem pedir contas daquilo a que sou completamente alheio.

        - Mas… porque tem de ele vir aqui falar consigo??

        - Porque de certeza já sabe que a irmã me veio visitar.

        - Mas, como pode ele vir aqui se está morto?

        - Está morto?! - interrompi eu aquele raciocínio que não levava a nada.

        - Claro! Então o cadáver que o senhor Mendes observou ainda há pouco não estava morto?

        - Sim! Mas se é a esse cadáver que se refere, porque haveria ele de estar aqui?!?

        - Porque o cadáver desapareceu! - disse o cabo dirigindo os olhos para o infinito, ao mesmo tempo que o sangue me gelava.

 

(Continua no próximo número)

 


 


REGRESSAREMOS na próxima semana, 20 de Maio, com o texto do 7.º Episódio, “Indisposição comprometedora”, de: LOURDES, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 222, Jornal “Barlavento” (2 de Junho de 1988).

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