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domingo, 10 de maio de 2026

Triângulo Equilátero - Uma História de Faca e Alguidar 🕵 Autores: A. Raposo, Detective Jeremias, Onaírda, Zé 🕵️ Edições TPL - 📖 1.ª Edição, Lisboa, Abril, 2011 📚

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CAPÍTULO QUATRO

O Caso do Banqueiro Degolado


De: Onaírda

Nessa sexta-feira, Tempicos entrou, tipo furacão pelo largo, impessoal e frio hall/portaria do edifício da Polícia Judiciária, do lado da Gomes Freire. Habitualmente entrava pela porta do piquete da Joaquim Bonifácio e de lá alcançava o seu gabinete no 3º andar. Nesse dia não o fez, porque sabia que havia algo para ele no sector administrativo na entrada da recepção reservada ao público.

No hall saudou o vigilante/recepcionista, parou um pouco e deu uma mirada pela porta, à direita, entreaberta para a sala ampla do sector administrativo. Viram-no e chamaram-no. Quem o fez foi uma funcionária, que tinha uma certa consideração por ele (e se calhar alguma paixão secreta, mas Tempicos não misturava assuntos in love com colegas da instituição). Foi-lhe entregue um envelope tipo A4 com o seu nome, mas não indicando a procedência. Mas Tempicos sabia de quem vinha. O envelope foi rotulado assim: “O caso do banqueiro degolado e atirado para a piscina”. Investigador Inspector Tempicos. Solicitar superiormente para que este caso lhe seja distribuído…Tempicos escreveu isto com dificuldade porque na véspera a faca de cortar queijos tinha feito mossa no seu polegar direito.

Tempicos lembrou-se perfeitamente das palavras que lhe foram dirigidas dois dias antes por madame H no bar “Os Goliardos”da Praça da Alegria.

“O meu marido foi assassinado em Janeiro, na nossa casa em Cascais. Morreu degolado, esvaído num mar de sangue. A Judiciária não encontrou ainda respostas. Ajude-me, ajude-me, suplico-lhe! Tenho dinheiro. Posso pagar. Pagar tudo aquilo que quiser. Tenho aqui comigo todos os dados do crime e da investigação feita até agora.” Passada uma hora, e por intervenção do seu colega António Garçôa, (o teórico Onaírda, só para alguns amigos) o processo foi posto ao seu dispor, podendo prosseguir com a investigação. Para a brigada que tinha o processo em seu poder foi um alívio do “caraças”. Era um rosário de ilicitudes financeiras e havia muitos envolvidos – cúmplices - e assim seria um trabalhão para se obterem certidões a fim de se esclarecer os ambages da rede.

Tempicos demorou cerca de três dias a pôr na memória os acontecimentos e a enquadrá-los analiticamente. Já tinha os neurónios cansados e as células cinzentas a esboroarem-se. As três mulheres do clã Purificação tinham feitos estragos na sua psique. E curioso é que foi comparando, de cada uma por sua vez, as mulheres envolvidas no caso e encontrou mais semelhanças do que diferenças com o clã feminino dos Purificação.

J. era um banqueiro bem-sucedido na sua vida profissional e particular. De modesto empregado de uma entidade bancária, devido à sua esperteza e facilidade de transformar o difícil e imprevisível em fácil e realizável, foi subindo a pulso, galgando lugares até atingir o topo. Aos 50 anos alcançou o lugar de presidente do conselho de administração. Na sua juventude morava com os pais num rés-do-chão em São Vicente, nas Rua das Escolas Gerais, em que o eléctrico 28 para a ida aos Prazeres passava a meio metro da janela. Acabou por comprar anos mais tarde um luxuoso apartamento de 5 assoalhadas e igual número de casas de banho nas Laranjeiras. Tudo normal se no meio disto tudo não tivesse adquirido, novinha a estrear, uma luxuosa moradia na Quinta da Bicuda em Cascais. Era uma moradia de dois pisos com uma área verde envolvente muito significativa e uma piscina rectangular. Quem trabalhava no Banco e alguns conhecidos seus comentavam como foi possível arranjar tanto dinheiro para tanto luxo. É que para além do que já referimos tinha dois Mercedes de luxo, para além de um iate de 15 metros. E contas de rendimentos eram mais que muitas. Diziam que a trabalhar e a viver dos ordenados não era possível. Negócios eram o que eram!

J. foi assassinado na sua moradia de Cascais. A Polícia Judiciária chegou a uma conclusão concreta, embora ainda não tivesse descoberto o homicida. J. estava sentado numa cadeira à borda da piscina virado de frente para esta. O assassino aproximou-se pelas suas costas, armou o braço com uma lâmina cortante, de fino aço e nova em folha, passou-a pela garganta em golpe deslizante e profundo e praticamente degolou-o. Quer a vítima se levantasse ou não quando recebeu o corte fatal bastou ao assassino um pequeno empurrão para o fazer cair de borco na piscina. Tempicos leu tudo o que a madame H. lhe forneceu no dito envelope e posteriormente leu o processo, retirado à outra brigada. Ficou, então como uma ideia de quem era J., o marido da senhora que lhe pediu ajuda

J. era um pinga-amor e nos últimos tempos três mulheres alegavam que J. as tinha ludibriado, bifando-lhe grandes quantidades de dinheiro. J. não só se aproveitou das mulheres para, com promessas de dividendos elevados, materializar ligações de cariz sexual com elas.

Henriette, francesa. Divorciada de um diplomata, entregou a J. muito dinheiro para ele o fazer multiplicar. J. não multiplicou, antes dividiu, e depois negou que ela lhe tivesse entregue o dinheiro. Henriette desesperou. Era uma das suspeitas. Na semana anterior tinha feito uma viagem a Le Limoges, França. De lá trouxe alguns souvenirs para ofertar a amigos. Mulher trintona, perto dos quarenta, loira e de físico espectacular. Tempicos nos seus pensamentos oníricos, comparou-a à Nelinha, de tão boa que esta era. Bons tempos, sonhava ele.

Margarida. Espanhola. Sofreu por parte do J. as mesmas vigarices que a francesa. Também desesperou. Na semana anterior tinha ido a Toledo e só teve dinheiro para comprar um recuerdo típico da terra. Do melhor. Até lhe podia ser útil. Era uma morena de estalo. Com um físico de se lhe tirar o chapéu. Claro que Tempicos comparou-a à Katinha Vanessa e lembrou-se de muitas tardes que passou com ela. Mas o tempo não volta para trás.

Clara Broega, alentejana. Oriunda de um meio rural. Igualmente foi enganada por J. Tinha sido amásia de um magnata de petróleo e sacou-lhe muitos milhares de contos de reis, para os ir entregar de mão beijada ao J. Coincidência ou não, na semana passada, tinha ido numa excursão a Ceuta e depois fez uma incursão a Marraquexe. Num souk (mercado) da Praça Jemaa-el-Fna comprou uma túnica de algodão e uns artigos de couro, tais como um par de babouchas e especialmente um pouf para se sentar na borda da piscina de J. A excursão depois de sair de Algeciras veio por aí acima e pararam em Pegões, onde na Padaria do Fernando todos compraram pães deliciosos tipo “Alentejo”. Clara gostava de cortar os bocadinhos de pão com um canivete, curtinho, já muito velho, mas que cortava bem. Tempicos comparou-a com Mary Lou, porque não era só tão boa como ela, mas, igualmente, dava ares de artista.

Tempicos perguntou a Madame H. se estas três mulheres tinham algo em comum que as relacionasse com o seu falecido marido

- Tinham, tinham! Agora me lembro que todas tinham um duplicado da chave do portão do jardim da moradia de Cascais, para terem acesso à piscina e dela se servirem quando quisessem.

Passados dois dias Onaírda perguntou a Tempicos se já tinha descoberto quem foi o autor do crime. Este disse-lhe que ainda não, apesar de já ter feito uma visita à moradia de Cascais e à piscina. Visita acompanhada da viúva H. Aproveitaram e deram uns mergulhos. Nuzinhos em pelota.

* * *

Tempicos tinha a fonte alagada em suor. Acordou sobressaltado. Tivera um pesadelo. Olhou para a sua companheira, como sempre ao seu lado. Pensou se não seria agradável pela manhãzinha realizar a dois (claro) uma “onírica dança fandanga”… Ai Judiciária, Judiciária, que tanto me fazes sonhar.

 

 

 



 

 




 

»»» 🔎 VOLTAREMOS NA PRÓXIMA SEMANA, DIA 17 DE MAIO, COM A DIVULGAÇÃO DO CAPÍTULO FINAL - 1 "QUANTOS LADOS TEM UM TRIÂNGULO", DE: DETECTIVE JEREMIAS.

»»» ESTES "CRIMES"..., DA "TPL", COMETIDOS PELOS SEUS "FORA-DA-LEI", FICARAM FAMOSOS... NO "MUNDO POLICIÁRIO"! SE O LEITOR É UMA PESSOA SENSÍVEL... TENHA CUIDADO... AO LER OS OITO EPISÓDIOS DESTA HISTÓRIA... DE FACA E ALGUIDAR! 



 

👌 FELIZ Domingo!

CAPA DA 1.ª EDIÇÃO



📔BOAS Leituras!

1 comentário:

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