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domingo, 6 de setembro de 2026

TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG - Mais "Crimes"! 🕵 Autores: A. Raposo, Detective Jeremias, Onaírda, Zé Arnes, Inspector Boavida e Nove -- Os Sete Magníficos! 📚 Edições TPL -- 📖 1.ª Edição, Lisboa, Outubro, 2011

📚Aspecto geral de como ficou a nova SALA das PESQUISAS, após as obras de remodelação, onde a "Família MVP", os "Animadores do "Blogue RO"... se reúnem em colaboração e tratam da recolha dos artigos a publicar!📖 

 


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Episódio Final de Arnes

 


Na correria e com a escuridão, Tempicos não viu a raiz de uma árvore e caiu desamparado no chão. No preciso momento que caiu, um novo silvo e uma seta passa por cima deste, indo cravar-se numa árvore uns metros adiante. Precisamente aquela onde se encontrava Santi que começou a tremer como varas verdes. Sentia-se todo molhado, não sabia se eram suores, se era pela chuva que havia recomeçado a cair. Santi estava dominado pelo medo, mas o seu forte lado solidário, não o deixou recusar ajuda ao pobre do Tempicos, que continuava no chão todo sujo de lama e trémulo de susto.

No Castelo viam-se janelas iluminadas e pessoas começaram a aparecer na enorme porta principal, alertada pelos gritos. Santi teria preferido não ter que enfrentar ninguém, mas tinha feito um curso por correspondência de detective, foi inclusive premiado como o melhor e resolveu entrar para ajudar no que fosse preciso. Se alguém o reconheceu, não o mostrou, só Tempicos se abraçava a ele e entre uma série de grunhidos que proferia, conseguiram ouvi-lo a dizer. Mataram o Marquês e queriam matar-me a mim...

Estavam todos reunidos no enorme hall do Castelo, Arnéss apareceu do lado da cozinha, com uma chávena de chá a fumegar, que gentilmente ofereceu a Tempicos, que sofregamente a tomou, enquanto acalmava aos poucos. Vários pares de olhos e respectivos ouvidos, esperaram que acabasse, à espera de explicações. Nesse momento entra Anadrá castelo dentro, com o corpo do Marquês ensanguentado, nos braços. A Madame deu um grito e quase caiu inanimada, valeu-lhe a rápida intervenção do padre que nessa noite havia pernoitado no Castelo. Arnéss abraçou-se a Kátinha e foram prontamente reconfortadas por Joseph que abraçou as duas. Frau J atirou-se para o sofá mais próximo, enquanto abria o penhoar que vestia esta noite, para que lhe entrasse algum ar fresco...Anadrá depositou o corpo do Marquês, num chaise-long que existia ali próximo, Frau J já um pouco refeita da emoção, levantou-se, aproximou-se e com o estetoscópio que trazia ao pescoço, fez um rápido exame ao Marquês e em voz mais arrastada que o costume, disse.

-Estaaaar mesmoo Morrrto. Gooood nos acuda!! Como foi que ele saiu do castelo sozinho e quem andaria a caçar àquela hora, por certo algum caçador ilegal andava nos bosques e terá morto o patrão por acidente.

Santi levantou a mão pedindo para se calarem e pediu a Anadrá que ligasse à Polícia. Virou-se para Tempicos e pediu-lhe para lhe contar tudo que sabia, talvez os dois em conjunto descobrissem o que realmente aconteceu e quando chegasse a polícia, já poderiam ter uma solução. Tempicos contou o porquê de estar ali e disse que durante a tarde, tinha mandado uma missiva, através de uma camareira que tinha conhecido na cidade, com ordens para que a entregasse ao próprio e longe de outros olhares. Na carta pedia ao Marquês, para se encontrar com ele no bosque, longe de ouvidos ou olhares, para lhe falar de um assunto de extrema importância, pois estava em crer, a sua vida estava seriamente ameaçada.

Esperara no sítio combinado, quando começou a chuviscar, pensou que não ia aparecer, mas depois de 15 minutos de espera, viu o vulto do Marquês com uma capa de cor amarela, que se aproximou a coxear. Apresentou-se, disse-lhe quem era e o que vinha ali fazer e foi nesse momento que ouviu um silvo e o Marquês, caiu-lhe aos pés, sem ter tido tempo sequer de dar um ai, com uma seta a atravessar-lhe o tronco na zona do coração. O resto Santi já sabia.

Santi dirigiu-se à madame e perguntou-lhe, onde estava e que estava a fazer.

A Madame disse que tinha ido dar as boas noites ao Marquês e estranhou, este ainda estar vestido, mas notou que ele estava de mau humor e preferiu não lhe perguntar nada, até porque estava na hora da enfermeira aplicar a injecção que diariamente lhe dava antes de ir para a cama. Regressou ao seu quarto, tendo passado antes pela sala, para pedir a bênção ao Padre e dar umas palavrinhas em particular ao Joseph, que tinham a ver com o carro e com um passeio que estava a planear para o dia seguinte. Quando ia para o quarto, viu a enfermeira a sair do quarto do marido, com um livro de onde caíram folhas soltas, que esta prontamente apanhou. Como anteriormente restaurava livros, o Marquês pedia-lhe que por vezes lhe reparasse um ou outro. No quarto com janela para o bosque, estava a aplicar os cremes, quando ouviu os gritos. Veio a correr, ver o que se passava.

Anadrá falou a seguir e disse que estava no terraço do castelo, que viu alguém sair com a sua capa amarela, que pouco antes tinha emprestado à enfermeira que lha tinha pedido. Pelos passos percebeu que era o Marquês e estranhou ele sair àquela hora, então desceu, pois a noite estava muito escura e na escuridão do bosque os binóculos pouca serventia tinham. Estava a sair do terraço, quando ouviu os gritos e dirigiu-se para o sítio, onde tinha visto ir o Marquês.

Passou por ele e Tempicos, ainda pensou em parar, para lhes perguntar quem eram, mas com a ansiedade e com a aflição de ainda poder valer ao patrão, andou sempre. Infelizmente, quando lá chegara viu que já era tarde de mais. Pegou nele e trouxe-o nos braços para o castelo.

Arnéss disse estar na cozinha a fazer o chá que todos os dias levava ao Patrão antes de ele adormecer, quando ouviu os gritos. Ao sair para o hall encontrou Anadrá que descia as escadas a correr e saiu porta fora, sem lhe dar uma palavra, depois todos os que se encontravam no Castelo desceram as escadas de forma apressada, só Joseph apareceu vindo dos lados da garagem.

Joseph foi o seguinte a explicar-se. Disse que a patroa o informara, que no dia seguinte queria sair com ele no carro, então foi providenciar para que tudo estivesse impecável, quando voltou ao castelo, viu o alvoroço, mas não tinha ouvido os gritos, pois a garagem era do lado oposto.

O Padre disse estar já recolhido a fazer as suas orações, quando ouviu os gritos fora do castelo, vestiu rapidamente a vestimenta e veio ver o que se passava. Quando saia do quarto, Kátinha apareceu com ar assustado à porta do seu quarto, que era ao lado do seu.

Kátinha disse estar a fazer palavras cruzadas, sentiu sede e quando se preparava para vir à cozinha, ouviu os gritos. Como ainda estava vestida, saiu porta fora e desceu junto com o Padre.

Frau J, disse que já estava deitada, pois o jantar não lhe tinha caído muito bem. Tinha ido dar a injecção ao patrão e notou que este estava esquisito. Estranhou ele ter-lhe pedido para lhe arranjar uma capa para a chuva, mas fez-lhe a vontade. Pediu-lhe um livro que ele tinha sobre uma pequena mesa, junto ao sofá onde se sentava e recolheu ao seu quarto, para ler um pouco e tentar adormecer. Foi quando ouviu os gritos do Tempicos, levantou-se da cama, vestiu o roupão e veio ver o que se passava, encontrando já todos no hall do castelo.

Santi perguntou aos presentes quem tinha entrado no quarto do Marquês nesse dia. Só a enfermeira e a esposa disseram que lá tinham entrado.

Nessa altura ouviu-se o carro da polícia a chegar e com eles uma ambulância. Os polícias entraram no Castelo, onde Santi os cumprimentou e lhes disse:

Mataram o Marquês e tentaram fazer o mesmo a Tempicos, podem prender Frau J pois é ela a assassina.

Só ela sabia da presença de Tempicos no local e para que tinha vindo. Pesquisem as suas várias actividades e irão descobrir que algures entre a Alemanha e a Argentina, andou a treinar de Guilherme Tell. Leu a carta que o Marquês escondeu no livro, que ela pediu emprestado e ficou a saber a hora e onde se encontrariam. Com as janelas do quarto viradas para o bosque, esperou pela melhor hora e ficou feliz por ter tido a ideia de lhe ter dado aquela capa bem colorida, que o Anardá costumava usar em dias de chuva, que o tornava um alvo fácil, na penumbra do bosque. Tempicos estava velho e caquéctico, mas andava desconfiado. Tinha descoberto que o patrão corria riscos, felizmente ainda não desconfiara dela, mas podia chegar lá. Por isso tinha também que o eliminar, mas aquela raiz estragou-lhe os planos. Quando todos desceram, pegou no estetoscópio, para poder observar de perto o patrão e ver se o serviço tinha sido bem feito. Uma mulher mesmo sendo enfermeira, não dorme de estetoscópio ao pescoço e como todos puderam ver, ela desce com ele, apesar de dizer que já estava na cama. Agora as razões que a levaram a tal acto, isso cabe-vos a vós descobrir.

 

 

 


 

🔎  CONTINUAREMOS na próxima SEMANA, DIA 13 de SETEMBRO, COM A DIVULGAÇÃO do "Episódio Final de ZÉ".



 

👌 FELIZ Domingo!




📔BOAS Leituras!

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