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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

"Não há crimes perfeitos!" -- Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódios  36, 37 e 38

 

 


36.ª colaboração – A REVELAÇÃO

(por:  LUÍS CORREIA)


        - “Um acordo?!” – lembrava-se ainda como se se estivesse a ver ao espelho. Devia ter demonstrado de tal forma a sua estranheza que o homem despejara o saco num instante.

        Segundo ele – Alberto Fontes, de seu nome durante os seus devaneios amorosos com a mulher do taberneiro em Paredes do Couro, que tinham chegado a vias de facto, se assim se pode chamar, levara a peito a sua tarefa de “caça fortunas” procurando inteirar-se da situação financeira da amante para poder avaliar – segundo as suas palavras – se valeria ou não a pena continuar a operação. E, chegara a obter respostas interessantes...

        E tinha sido com base nessas respostas, que tinham começado com um caso simples, que obtivera autorização do Juiz para vasculhar algumas contas bancárias de gente lá da terra. As conclusões tinham sido bastante satisfatórias, se é que se pode considerar satisfatório descobrir um ninho de vespas até aí escondido e que bem o poderia ficar por muitos mais anos ou até sempre, se por acaso não tivesse acontecido ser ele o encarregado do piquete naquele dia.

        Outro qualquer mandava lixar o acordo, tomava nota das declarações e juntava mais um papelinho a um processo que iria durar o tempo que durasse. Desde que isso não lhe trouxesse mais chatices estava melhor assim como estava, isto é, sem sequer ouvir o que o homem tinha para dizer.

        Estabelecera, entretanto, contacto em Paredes do Couro, e este era o soldado único do posto da Guarda Republicana e que lhe parecera, num encontro que tinha havido como se fosse casual, bastante mais inteligente que o seu superior, um cabo envelhecido e sem outras ambições que não fossem as de ver passar o tempo até à altura da reforma.

 

 

37.ª colaboração – UM SOLDADO INTELIGENTE

(por:  DANIEL SILVA)

 

        O jovem soldado da GNR mostrara-se até aí bastante útil, para não dizer que tinha sido indispensável, mantendo-o ao corrente daquilo que se ia passando naquela aparentemente tranquila terra. Pelos seus cálculos, Paredes do Couro era um pequeno barril de pólvora. Pronto a rebentar. E, aquele morto que afinal não morrera fora o acender do rastilho.

        Demonstrara- se até, o soldado, mais inteligente que muitos subordinados seus, formados em cursos exaustivos, ao fazer correr a notícia de uma morte que não tivera lugar, para levantar a caça. Esta, afinal, acabara por correr direita às armadilhas que lhes iam montando.

        O EFE Mendes, o próprio e famoso EFE Mendes, tinha caído como um patinho na história da pretensa morte do desconhecido.

        Por se lembrar de tudo isto ostentava um sorriso de gozo imenso nos lábios E um assobio. Um assobio que não largava quando estava bem disposto.

        Meteu a chave na ignição e arrancou direito a Paredes do Couro.

 


38.ª colaboração – VER A MORTE

(por:  DANIEL SILVA)

 

        Passado pouco mais de uma hora estava ele em frente ao monte de ferro retorcido que tinha sido um carro.

        Lá dentro não podia haver nada com vida. Era impossível. Ninguém escapava de um acidente como aquele.

        O motorista do camião clamava a sua evidente inocência, já refeito do choque inicial e visto que nada de mais grave lhe sucedera senão alguns arranhões resultantes dos vidros partidos e nódoas negras do contacto violento com o volante, que lhe retirara a respiração e o fizera perder os sentidos.

        Era o seu contacto na Guarda de Paredes do Couro que se encontrava no local quando chegara, perto do carro de bombeiros, que procuravam agora serrar a carcaça da viatura. Quis afastar-se, mas o soldado da GNR chamou-o.

- Senhor Inspector!... àparte esta desgraça está tudo sob controle. Temos quase os diamantes apreendidos.

        - É realmente uma desgraça... uma grande desgraça...! – ripostou Rodriguinho agora já sem o sorriso nos lábios.

 

(Continua no próximo número)

 

 


 


REGRESSAREMOS na próxima semana, 11 de Novembro, com os textos do 39.º Episódio, “SURPRESA”, de: LOPES CORREIA;  40.º Episódio, “O ALERTA”, de: HUGO NUNES e o 41.º Episódio, “UMA JOVEM LOIRA QUE ANDA POR AÍ”, de: DANIEL SILVA, todos publicados na Secção “Código Secreto” n.º 247, Jornal “Barlavento” (8 de Dezembro de 1988).


 

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