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domingo, 12 de julho de 2026

TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG - Mais "Crimes"! 🕵 Autores: A. Raposo, Detective Jeremias, Onaírda, Zé Arnes, Inspector Boavida e Nove -- Os Sete Magníficos! 📚 Edições TPL -- 📖 1.ª Edição, Lisboa, Outubro, 2011

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 🔎 Uma homenagem ao cónego Novenat 🔍 

 

CAPÍTULO QUATRO 

Culpa vacare maximum est solatium

(que bom não nos sentirmos culpados) 



De: Onaírda

Leitores fiéis desta novela

Lembram-se das cenas iniciais do filme Amadeus, que retratava a vida de Mozart? Pois essas cenas mostravam o maestro António Salieri, grande rival de Mozart, internado num hospício de loucos em Viena a confessar-se a um padre. Na sua confissão ele imortalizava o génio de Mozart, ao mesmo tempo que se considerava a si próprio como um músico vulgar que compôs umas musiquitas apenas. Não foi um inimigo de Mozart apenas tinha ciúmes do músico de Viena.

Pois, amigos leitores, façam um exercício virtual e imaginem o sacristão Anarda deitado em transe na cama do seu quarto do Castelo de Chamborg, a solicitar a presença do cónego Novenat e a pedir-lhe que o ouvisse em confissão.

– Padre, quero confessar-me.

– Filho, a misericórdia de Deus é infinita e qualquer que seja o pecado que cometeste, desde que seja sincero o teu arrependimento, Ele perdoar-te-á.

– O padre sabe que no Castelo de Chamborg coabitam várias mulheres e eu, que devia manter-me como um serviçal honesto, leal e fiel para com os meus amos, procedi como um luxurioso e cúpido desejei aquelas mulheres, povoando os meus pensamentos de sórdidos actos de erotismo bacoco e de libidinosidade.

Desde muito novo fui sempre um rapaz chanfalhão e alegre, tipo conquistador do belo sexo. Tinha atributos físicos e jactância suficiente para o efeito. Conheci a Madame de Chamborg muito antes dos acontecimentos já descritos. Era ainda a portuguesinha beirã Maria Pontes. Sem nos comprometer mantivermos uma relação licenciosa, saudável e sensual.

Desejosa de singrar na vida, Maria Pontes resolveu assentar arraiais em França. Levou-me com ela, mas já num estado diferente para com a minha pessoa. Eu só a acompanhava porque ela tinha pena de mim. Na previsão de arranjar uma boa vida ela dar-me-ia uma ajuda. Conheceu o Marquês de Chamborg – o gaipo mais tosco deste planeta – casou com ele, transformou-se na Madame de Chamborg. Ao ver a figura apalermada do Marquês eu tive a presunção de que voltaria a ter a minha Maria Pontes enroscada nos meus braços e na minha cama. Puro engano, tremenda desilusão para mim. Ela arranjou um motorista, tipo John Travolta, que depressa a conquistou e lhe metia na boca chocolatinhos que se lhe derretiam ao entrar na boca dela e a parte líquida escorria-lhe para os beiços. Isto dava-lhe um imenso prazer e o motorista andava nas nuvens. Definhou e ela aprimorou-se.

Arranjei uns binóculos e constatei que o motorista não avançava com o Ferrari para o caminho certo, pois não passava de só lhe meter na boca os bombons achocolatados. Um dia passei-me e disse-lhe na cara que “Deus dava nozes a quem não tinha dentes”. Ameaçou-me de morte se eu contasse alguém o que era a relação dele com a Madame e o que fazia com ela na intimidade. Melhor, o que ele não conseguia fazer. Depois da ameaça que me dirigiu, sinto que posso ser alvo dalguma perfídia para com a minha pessoa por parte do motorista. De certeza que ele desabafou com a Marquesa porque imediatamente ela me promoveu a sacristão do castelo, só para eu ter o sentido de ter uma vela (grossa) na mão quando eu acolitasse as missas dominicais. Assim eu podia arranjar algum gosto esquisito e deixar de pensar nela.

Depois apareceu no Castelo a bela e doce Arnéss. Para mim foi uma estrela que despontou no meu firmamento amoroso. Quase que lhe lambi os pés, mas ela deu-me com os mesmos para trás. A causa era porque ela andava apaixonada pelo traste do John Travolta de volante nas mãos. Mas o John Travolta não tinha arcaboiço para a Madame muito menos para a doce Arnéss. Os meus binóculos entraram em acção e o que eu via proporcionava-me dois sentimentos díspares ao mesmo tempo. Por um lado, revoltava-me porque a Arnéss me fugia e por outro lado ria-me bastante porque o John Travolta tinha um volante portátil e andava às voltas no quarto a fingir que arrumava o Ferrari, mas nunca conseguia entrar na garagem. A Arnéss meneava a cabeça de um lado para o outro. Travolta duma figa que não sabia meter as mudanças.

Claro que dei com a língua nos dentes e novamente o motorista ameaçou-me de morte, agora numa acção concertada a dois. Ele e a Arnéss.

Os meus devaneios amorosos falhados prosseguiram agora na pessoa de Frau Jeremein. Confesso que não fazia o meu tipo devido a que era uma intelectual que em tudo punha um rigor que não se coadunava com aquilo que eu pretendia da sua pessoa. E quando uma vez vi o marquês a fugir dela com as calças despidas na mão e Frau Jeremein com uma seringa para lhe espetar no “sim senhor”, seringa mais apropriada para doses cavalares, tive medo e resolvi deixá-la em paz. Mas era curioso e os meus binóculos começaram a espiá-la. E, tinha de ser, lá descobri que a “alta senhoria” era íntima do John Travolta dos Ferraris. Ela bem se esforçava para que ele fizesse as suas obrigações naturais, mas o magano estava sempre a consultar o…como se estivesse a participar no Rally das Camélias. O John Travolta dos piões e das ultrapassagens a 200 à hora andava desconfiado e foi apanhar-me a espreitá-lo com os binóculos, com a agravante de eu estar todo nu em local estratégico. Foi uma vergonha que me fez e novamente surgiu uma ameaça de morte.

Katinha Vanessa foi, para surpresa minha, aquela mulher residente no castelo de Chamborg que realmente estava em condições para me amar. Bonita, amorosa, solidária, despertava paixões em todos os homens que com ela convivessem de perto. Nos meus pensamentos encarei a possibilidade de ter um romance de amor com esta beldade. Depressa verifiquei ser impossível. Eu não sabia a proveniência dela, mas ela sabia quem eu era. Eu tinha um tio de nome Onaírda que tinha tido um ardente envolvimento amoroso com sua mãe Nelinha da Purificação. Erotismo e paixão nos seus encontros, regado muitas vezes com muitos copinhos de jeropiga do Ti António da Corujeira – este magano está sempre a bater no mesmo – com os olhares cúmplices de uns ratinhos anões, branquinhos, que viviam naquela sua adega de Sintra. No entender de Katinha Vanessa isto não causava estorvo à nossa ligação, mas o senhor Padre Novenat adivinhou as nossas intenções e ameaçou excomungar-nos se as nossas intenções se materializassem. Depois verifiquei que o senhor padre a queria confessar no seu quarto. Ostracizei-o deveras. Que Deus me perdoe!

E assim acabou desta forma a possibilidade de ter este novo amor. Cheguei a apostrofá-lo a si senhor padre. Mas temente a Deus, passei uma esponja sobre o assunto. Pensei em dar-lhe um fim, a si senhor padre, para que desaparecesse do Castelo de Chamborg. Mas não fui capaz de o fazer. Neste caso não pequei por actos, mas por pensamentos iníquos para com um servo de Deus tão respeitado e tão exímio em fazer confissões.

Por tudo isto peço a sua absolvição dos meus pecados para poder partir para outras paragens nas graças do Senhor.

– Nada mais tenho a confessar, senhor padre.

O cónego Novenat ouviu todo este arrazoado em silêncio. Pensou para com os seus botões que sacristão tão aparvalhado. A pensar que pode ser vítima de um crime violento, quando os pecados dele são muitos pequeninos comparados com os dos restantes residentes neste Castelo de Chamborg. Até eu tenho muito maiores pecados do que ele e nem sei se não serei eu a vítima desse anunciado crime E se houver um crime a ser cometido todos nós estamos sujeitos a ser o alvo do criminoso.

– Vai meu filho descansado, levanta-te desta cama, volta aos teus afazeres no Castelo. Estás perdoado por Deus e por este seu representante na terra. A propósito: prepara-me uma boa “sandocha” de torresmos e uma gasosa fresquinha.


 

 










 

🔎 VOLTAREMOS na PRÓXIMA SEMANA, DIA 19 de JULHO, COM A DIVULGAÇÃO do CAPÍTULO CINCO "Regresso de um Passado Nunca Esquecido", De: ARNES.



 

👌 FELIZ Domingo!




📔BOAS Leituras!

1 comentário:

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