🧐 POLICIÁRIO 🕵️
Episódio 3
3.ª colaboração - "O lenço comprometedor"
(por: M. W. (CDP-Oeiras)
Agora que já tinha mostrado as minhas suspeitas ao próprio visado, era aconselhável, ficar numa posição de expectativa, até que ele fizesse qualquer coisa que o denunciasse completamente.
Afastei-me do lugar e reentrei na pequena quinta de meio hectare que tinha adquirido na serra, onde nos fins de semana retemperava forças para mais cinco dias de investigações criminais. Dentro do pavilhão, vidrado e transparente, antiga estufa de exuberantes flores, onde instalara o meu gabinete de leitura, vim encontrar uma presença feminina que, extraordinariamente, me surpreendeu. A linda moça que, com as suas inexperientes vinte primaveras, mal conseguia ocultar a ansiedade que lhe ia na alma, era a irmã mais nova do pároco.
-Boa tarde — disse-lhe, enquanto ela atrapalhadamente se levantava da cadeira em que me parecia esperar.
-Desculpe ter invadido o seu refúgio, mas, como não estava, resolvi entrar, não fosse alguém ver-me…
-Sim, o que diriam as más-línguas — interrompi com frieza — Vir encontrar-se com o “jacobino” no seu próprio terreno.
-O jacobino — pronunciou com uma estranheza mal dissimulada.
-Não é o que me chama o seu irmão nos sermões dominicais?
-Não foi isso que me trouxe aqui. A opinião dele, não é a minha. Venho-lhe pedir um grande favor, do qual pode depender a honra de uma pessoa.
-Fale — disse-lhe, dissimulando o meu interesse no abrir de um livro.
-Sei que abordou o Dr. Fortes, a respeito do crime que foi cometido...
-Como sabe que foi um crime? — perguntei incisivamente.
-É a informação que me chegou aos ouvidos! Quando falou com o Dr. Fortes segurava nas mãos um lenço ensanguentado. Peço-lhe que não o entregue à Polícia pois, em vez de contribuir para a resolução deste caso, só contribuirá para o adensar e envolver nele pessoas que Ihe são alheias.
-O lenço, ah! — exclamei com alguma ironia.
(Continua no próximo número)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 29 de Abril, com o texto do 4.º Episódio, “A investigação particular”, de: LUÍS CORREIA, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 219, Jornal “Barlavento” (12 de Maio de 1988).





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