🧐 POLICIÁRIO 🕵️
Episódio 8
8. ª colaboração - "A importância de possuir um cachimbo"
(por: ED ROBBINS)
Despedi o cabo prometendo-lhe que dentro de 5 minutos estaria no local de onde tinha desaparecido o cadáver. Agora, necessitava raciocinar. Tentar perceber o motivo da agressividade do Dr. Fortes, o interesse que a irmã do padre tinha no lenço e se este não era uma prova fundamental em todo o processo que se adivinhava, e, por fim, o que estaria na origem do desaparecimento do cadáver, isto é, qual o indício que, pela sua evidência, transparecia da observação do cadáver, para além das fortes marcas no coiro cabeludo da vítima, que eu notara quando o olhei pela primeira vez. Isto se houvesse realmente cadáver.
O meu raciocínio foi interrompido por vozes alteradas, entre as quais reconheci a do padre. Era realmente este, agarrado por duas mulheres que se aproximava da minha porta. Logo que me viu começou a ameaçar-me:
- Já é tempo de nos deixarem paz. Se for preciso eu corro-o a pontapé.
- O senhor já se esqueceu dos ensinamentos de Cristo?! - repliquei sorrindo.
- O que quer dizer com isso? também me quer doutrinar?!
- Não! Apenas lhe queria lembrar que Jesus ensinava que se deveria oferecer a face a todos os que nos ofendessem...
- Vá-se embora. Você só traz o mal. - disse o padre soltando-se das mãos nervosas das mulheres e começando a correr em direcção à aldeia.
- Retemperei as forças e dirigi-me também à aldeia. Quando atravessava o pinhal, uma voz chamou-me:
- Senhor EFE Mendes?
-Sim, sou eu - respondi a um homem todo engravatado que segurava qualquer coisa na mão.
- Reconhece este cachimbo?! - perguntou-me abrindo a mão.
- Sim, é meu, devo tê-lo perdido.
- Foi encontrado junto do cadáver do padre. Pelo que sei, acabara de ter uma discussão consigo.
-Sim, mas...
- Considere-se preso, sr. EFE - disse o polícia da Judiciária acabado de chegar à aldeia.
(Continua no próximo número)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 3 de Junho, com o texto do 9.º Episódio, “Suspeito em potência”, de: SANTOS VARELA, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 224, Jornal “Barlavento” (16 de Junho de 1988).





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