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domingo, 31 de maio de 2026

Triângulo Equilátero - Uma História de Faca e Alguidar 🕵 Autores: A. Raposo, Detective Jeremias, Onaírda, Zé 🕵️ Edições TPL - 📖 1.ª Edição, Lisboa, Abril, 2011 📚

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CAPÍTULO FINAL - 3

Maldita Reforma




De: A. Raposo & Lena


Tempicos sentou-se no seu sofá preferido, puxou de uma mesinha de apoio e despejou toda a papelada referente ao caso em estudo. O caso da Madame H como ele gostava de o chamar.

Tudo lhe parecia claro no que se refere às três principais suspeitas. Todas elas reuniam condições e vontade de limpar o “sebo” ao banqueiro.

J tinha feito muitos inimigos ao longo da vida, mas aquelas três senhoras tinham sido das mais prejudicadas. Não admira que tivesse levado o golpe na garganta à beira da piscina.

A análise da parte técnica pouco adiantara ao caso. Quem o matou utilizou arma cortante e super afiada. O golpe fora profundo e cortara a carótida com a maior facilidade. A morte fora breve e sangrenta. O empurrãozinho para dentro da piscina, qualquer um podia dar…

Tempicos relembrou a viúva H que o contactara no bar Goliardos ali à Praça da Alegria, onde a conhecera entre uma dentada num queijinho de Niza e um copinho de tinto. Tempicos conhecia bem a zona. Fazia muitas noitadas no HOT CLUB a tocar bateria quando cá vinha o Louis Armstrong, seu grande amigo.

Madame H era uma boa “lasca”. Esbelta, saltos altíssimos, tez morena e uns longos cabelos deslizantes um andar sensual e uma roupa de cabedal cor de azeviche. Uma peitaça saliente e empreendedora implantada nuns ombros largos e atléticos. Idade indefinida, mas ainda nos “intas”. Uma boca de lábios tugidos de um arroxeado só possível de obter através de algum “baton” misterioso.  

Parecia a heroína de uma banda desenhada de Hugo Pratt. 

Por detrás dos seus óculos escuros nada se via, mas muito se adivinhava. “Uma mulher misteriosa” cogitou Tempicos.” Com um elevado percentual andrógino.”

Uma viúva à sua maneira. Que daria luta. Mas de momento era o enigma que havia que descobrir.

Quem matou J. Era aí que teria que se aplicar.

Tempicos após uma leitura cuidadosa de todo o material na sua posse, acabou por concluir que uma mulher tinha tido a grande hipótese de obter a adaga afiada e de aço fino. Foi em Espanha, mais precisamente na cidade de Toledo, grande especialista em aços e navalhas, que Margarida recebeu o telefonema da sua amiga Madame H. No telefonema estaria a “encomenda” da arma. Havia um registo de telefonemas entre Madame H e Margarida de e para Toledo. Uma informação que estava na papelada da P.J. que aparentemente não teria importância.

Não havendo confissões, nem gravações de conversas havidas difícil se tornaria instruir o processo e a respectiva acusação.

Tempicos tinha que forçar a sorte. Seguir o seu feeling. Tal como um conhecido político, raramente falhava ou se enganava.

Tinha que obter a prova testemunhal através da confissão do culpado. Sem utilizar a força nem violência. Não eram os seus métodos.

Resolveu meter-se no carro e rumar a Cascais. Mais precisamente à Quinta da Bicuda à mansão da viúva H. E assim fez: pôs-se a caminho.

Apercebeu-se ao chegar perto da vivenda, que Madame H ia a sair entrando num carro. Ao volante ia outra mulher que não conseguiu reconhecer. Parecia-lhe alguém de quem já vira a foto.

Parou o carro mais à frente e circundou a pé a vivenda. Nas traseiras saltou o murete de protecção e aproximou-se da piscina. Rodeou o pavimento e utilizando uma adequada gazua que trazia sempre consigo, entrou na sala.

Atravessou a sala e dirigiu-se ao quarto de Madame H e enfiou-se dentro do roupeiro. Encontrou a um canto um lugar confortável e sentou-se à espera. Uma frincha dava-lhe ângulo de visão dos pés da cama. Era o suficiente.

Esperou umas boas horas e, entretanto, ali no escuro lembrou-se da cara da senhora que transportara no carro madame H. Era uma das três damas roubadas por J.

Qual delas?

Já passava da meia-noite quando um ruído de um carro se fez ouvir a entrar na garagem da vivenda. Depois foi o abrir da porta do quarto e a surpresa.

Madame H e uma outra senhora entraram no quarto e pelos vistos vinham para dormir Para Tempicos as coisas começavam a cheirar a esturro. Era a experiência que lhe segredava.

Um diálogo entrecortado por breves gargalhadas deu a Tempicos o indício que já esperava:

“Agora que o porco foi morto podemos finalmente gozar a vida à conta dele!”

A Tempicos pareceu-lhe ser a voz da madame H. Logo a seguir a outra ripostou:

“Naquela excursão a Madrid não estava previsto a paragem em Toledo, mas logo que a camioneta lá parou lembrei-me da tua encomenda, uma faca afiadinha boa para matar o porco!”(Risos) Tempicos gravou todo aquele diálogo. Sabia que estava a fazer uma ilegalidade. Mas era uma forma de obter resultados que de outro modo não conseguiria.

Deixou as senhoras a despir a roupa e a entrar na cama. Só depois saltou do armário e saudou o pessoal:

“Olá, minhas flores! Sabeis que o que disseram foi por mim devidamente gravado. Agora terão que vir comigo, até à Judiciaria.”

As duas cabecinhas que espreitavam na cama não eram outras senão a Madame H e a sua amiga Margarida.

“Podem vestir-se que eu viro-me de costas. Não quero intimidades, apesar da fama e das más-línguas. Além disso abomino mulheres que em termos de hormonas abusam da testosterona,

* * *

Um forte toque de campainha acordou Tempicos estremunhado. Eram já 8 horas de segunda-feira. Havia que picar o ponto e assistir a uma reunião às 9 horas na Sede da Judiciária.

Maldita reforma que tardava a chegar…

 

 

 








  

»»» 🔎 VOLTAREMOS NA PRÓXIMA SEMANA, DIA 7 DE JUNHO, COM A DIVULGAÇÃO DO CAPÍTULO FINAL - 4 "DEFINIÇÃO DO QUE É UM SONHO:", DE: ONAÍRDA.

»»» ESTES "CRIMES"..., DA "TPL", COMETIDOS PELOS SEUS "FORA-DA-LEI", FICARAM FAMOSOS... NO "MUNDO POLICIÁRIO"! SE O LEITOR É UMA PESSOA SENSÍVEL... TENHA CUIDADO... AO LER OS OITO EPISÓDIOS DESTA HISTÓRIA... DE FACA E ALGUIDAR! 



 

👌 FELIZ Domingo!

CAPA DA 1.ª EDIÇÃO



📔BOAS Leituras!

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