🧐 POLICIÁRIO 🕵️
Episódio 9
9. ª colaboração - "Suspeito em potência"
(por: SANTOS VARELA)
Atordoado com o insólito não tanto da aparição, mas principalmente das revelações que ouvira, ainda assim tentei reagir, procurando replicar ao choque do mando:
-Como pode você dar-me ordem de prisão somente porque o meu cachimbo está na sua mão?! Para mais, que autoridade tem o senhor para colocar as coisas nesse ponto tão radical se nem, sequer teve a atenção de se identificar nem tão pouco de confirmar a minha identidade?! E, já agora, que história é essa do cadáver do padre?! - interpelei, sem dar tempo ao meu interlocutor de fazer mais do que balbuciar esboços de respostas. Só quando conclui a “carga” é que o tipo, visivelmente menos incisivo, ripostou:
- A sua atitude confirma a sua identidade: Efe Mendes, investigador criminal. Quanto ao resto, tenha calma e faça o favor de conferir o meu cartão. Sou o Agente Matos Vargas, destacado para tomar conta de um cadáver... entretanto desaparecido, ao que parece.
- E como apareceu o meu cachimbo na encrenca? - perguntei, naturalmente preocupado com a evidência de um objecto meu surgir na trama de forma tão “autónoma” - Hoje de manhã já não o encontrei quando me apeteceu cachimbar um pouco...!
- Faça o obséquio de me acompanhar ao posto da GNR, onde assentei arraiais. Lá teremos ocasião de colocar certas dúvidas a limpo, até porque o Cabo Seromenho está neste momento entretido com o corpo do pároco.
Foi o que fiz. Este caso complicava-se a cada instante e bem precisava eu, antes de mais, de me desvincular inequivocamente de toda e qualquer suspeita. Para “ajudar”, este Vargas não parecia utilizar métodos lá muito ortodoxos.
(Continua no próximo número)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 10 de Junho, com o texto do 10.º Episódio, “Sob o aroma do café”, de: VÊ PONTO, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 225, Jornal “Barlavento” (23 de Junho de 1988).





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