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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

"Não há crimes perfeitos!" -- Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódios  33, 34 e 35

 

 



33.ª colaboração – A PERSEGUIÇÃO

 (por:  LUÍS CORREIA)

        O pobre do Fortes gemia ainda quando o deixámos no Posto de Socorros. Quanto ao Seromenho - chamado à pressa - irrompeu pela sala, levou a mão à cabeça, e nem foi preciso dizer-lhe para tomar conta do Galhardo pois que as suas meninges retemperadas pelo evoluir da acção pareciam funcionar em pleno, agora. Assim, rapidamente se apercebeu daquilo que o Matos queria dele e acabámos por nos meter de novo no carro em direcção à casa do falecido Padre, onde era to encontrarmos a Margarida, provavelmente fazendo as malas, ainda.

        Logo que entrámos na vereda que dava acesso à moradia mal tivemos tempo de nos desviarmos do carro que irrompeu bruscamente na curva, roçando ainda a chapa dianteira no farol do nosso carro, desfazendo-o com estrondo. Talvez por isso, ou mesmo por isso, o Matos saltou do carro e postou-se a meio do caminho enquanto ia descarregando, mais por raiva do que com a certeza de acertar, a pistola, em direcção aos pneus da viatura que se afastava. 

        Depois, fazer uma inversão de marcha naquele local, foi trabalho para resultar nalgumas amolgadelas contra as paredes de pedra meio solta e, com alguns minutos de atraso, la conseguimos prosseguir no caminho que a Margarida Melo nos indicava ao longe, através de um rasto de poeira.

 

34.ª colaboração – MANUEL ROCHA

(por:  SAMUEL T.)

        Manuel Rocha ia com pressa tinha partido às 5 horas da manhã de Santarém, onde carregara fardos de palha, e o raio do camião não parava de abanar nas curvas, devido à carga alta.

        Tinha de deixar 50 fardos em Paredes do Couro e distribuir mais alguns lotes por outras terreolas, passando por “estradas” cheias de buracos e estreitas “p´ra burro”.

        “Vamos apanhá-la, caramba… ela não pode escapar” – rugia o Vargas carregando no acelerador sempre que podia e metendo mudanças como se fosse num rallye.

        O Rocha, depois da distribuição queria ir para casa e comer qualquer coisa de jeito que o fizesse esquecer a comida de restaurante, que lhe dava cabo do estômago, queria ver a mulher e o filho. E dormir, dormir o suficiente para se sentir recuperado e recomeçar nova “tirada”.

        EFE Mendes estava com medo, - se é que ele podia ter medo - da forma de conduzir do Matos Vargas.

        Poucos minutos antes passara por si um carro, conduzido por uma mulher que quase o fizera sair da estrada. “Esta gente anda doida” pensou o Rocha, pensando em tudo o que via na estrada. Depois, os seus olhos abriram-se-lhe muito, em espanto, e sentiu quase de imediato um estrondo na parte fronteira do camião. Sentiu-se projectado contra o vidro e… nada mais!

        Abaixo do seu corpo, um carro, agora mais pequeno, quase passara em folha, como amalgama de ferro retorcido, por baixo da cabine.


35.ª colaboração – UM BARRIL DE PÓLVORA

(por:  LOURDES C.)

        O Inspector Rodriguinho recebeu o recado do Matos Vargas sentado à sua secretária na Sede da PJ.

        Tinha mandado o Vargas tratar do assunto em Paredes do Couro porque estava convencido que haveria uma ligação entre aquele caso e a fortuna repentina que alguns habitantes do local iam amealhando em velocidade nada de acordo com as margens de lucro na pecuária e na agricultura.

        A investigação começara por uma questão quase sem importância como começam algumas questões. Havia cerca de dois anos, um taberneiro dera um tiro de caçadeira num indivíduo que supostamente se andava a fazer à mulher daquele. O assunto quase caíra no esquecimento, depois. O ofendido retirara a queixa e o julgamento resultara numa pena quase simbólica para o taberneiro, que ficara, no entanto, proibido de ter caçadeira, duram te algum tempo.

        O então ofendido metera-se, mais tarde, noutra alhada mais simples dado que daquela vez não levara nenhum tiro. D. Juan por vocação, acabara sendo detido por ter despojado uma amante de algumas das suas joias de família e, por acaso, fora o Inspector Rodriguinho que, estando de piquete, se encarregara de tomar nota das suas declarações.

        A princípio não se apercebera de nada, era um caso relativamente simples, e assim parecia continuar. No entanto, o D. Juan falhado, certamente porque vira muitos filmes policiais, surpreendera-o ao propor-lhe um acordo.


(Continua no próximo número)

 



REGRESSAREMOS na próxima semana, 4 de Novembro, com os textos do 36.º Episódio, “A REVELAÇÃO”, de: LUÍS CORREIA;  37.º Episódio, “UM SOLDADO INTELIGENTE”, de: DANIEL SILVA e o 38.º Episódio, “VER A MORTE”, de: DANIEL SILVA, todos publicados na Secção “Código Secreto” n.º 246, Jornal “Barlavento” (1 de Dezembro de 1988).


 

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