Charadismo!
Tertúlia Edípica!
📓 Revista Quadrimestral 📝
⛄ Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro de 2026 🎄🌠
Secção Policiária🔍
Problema Policiário
ASSALTO NA SEDE DO FUTEBOL CLUBE OS SARDINHENSES
Um Original, de: Paulo (Viseu)
Na sede do Futebol Clube Os Sardinhenses tinha havido um assalto, tendo sido roubada a taça do campeonato que o clube tinha ganhado. O facto foi comunicado às autoridades pelo presidente, única pessoa que, além da polícia, entrara na sede.
No exterior, havia repórteres de todas as televisões e das principais rádios, que entrevistavam quer os passantes, quer pessoas que estavam de permanência no local, os designados mirones, que tinham sempre opinião sobre tudo. Bastava surgir-lhes um microfone pela frente e não paravam de falar, sendo normalmente interrompidos pelos jornalistas, que, regra geral, também gostavam de se fazer ouvir, ou então, recebiam ordens para isso.
Durante toda a manhã, tiveram que trabalhar apenas com o comunicado da polícia, indicando que desde as duas horas da madrugada, hora em que o presidente saíra, até às nove, hora em que entrara novamente na sede, houvera um assalto. O presidente estava incontactável, o que só mostrava inteligência da sua parte.
Quem, daquela rua, esteve em casa, além de ver polícias a entrar e a sair, conseguiu acompanhar o caso pela televisão.
– Então senhor chama-se…
– Jorge. Jorge Esteves.
– E estava aqui de passagem?
– Sim, estava a passar aqui, mas já sei que houve um roubo de madrugada. Só posso dizer que não fui eu.
– Muito obrigado, Jorge Esteves.
– De nada.
– E o senhor, como se chama?
– Marco Gaibrinhas. Tenho estado aqui, a ver o que se passa.
– Então deve ter uma opinião sobre o assalto?
– Claro! Não fui eu! Estava a dormir. Ah! Ah! Ah! Um assalto é sempre mau. Desde que começaram a vir os estrageiros que isto é uma desgraça.
– Muito obrigado, senhor Marco. Agora temos aqui uma senhora, que é…
– Estela Marques
– Então a senhora estava de passagem?
– Não senhor. Eu moro aqui em frente e, quando vi na televisão o que se passava, vim para a rua. Olhe que eu não vi ninguém aqui entrar de madrugada.
– Muito obrigado, senhora Estela.
– Não tem que agradecer. Eu é que agradeço tudo o que estão a fazer por esta rua. É sempre bom surgir na televisão.
– Temos aqui outro senhor. Como se chama?
– Mário Esteves.
– Estava de passagem?
– Não! Vim de propósito para ver. Eu sou um sardinhense e não admito que roubem a taça do único campeonato que vencemos.
– Muito obrigado, senhor Mário
– Passamos agora a mais uma senhora
– Olhe, eu estava de passagem. Moro ali no fundo da rua. Não faço ideia de quem fez o roubo. Eu não fui. Estava a dormir.
– Muito obrigado! Passamos mais uma vez aos estúdios.
Da porta da sede do clube Os Sardinhenses, Cláudia Eustáquio.
Foi assim toda a manhã, até ao início da tarde. Fosse a Cláudia Eustáquio ou qualquer outro repórter, as declarações dos presentes eram quase sempre as mesmas. Inócuas e inúteis.
Às quatro da tarde a polícia comunicou que ainda não tinham qualquer pista. Nada mais disseram. O presidente continuava a não se mostrar em público.
Perante isto, o que têm os leitores a dizer?
Problema Policiário
COM UM GRÃO NA ASA
Um Original, de: Smasher Smile (Setúbal)
A ambulância parou mesmo defronte ao Hotel Universal, na Av. Dos Aliados e desligou a estridente sirene. Os paramédicos saíram com uma maca e entraram no hotel. Uma recepcionista, morena e elegante, mas estranhamente pálida levou-os até ao quarto 211.
Dois polícias fardados à porta e no interior um homem de gabardine espiolhando o local.
Na cama um corpo, ainda vestido. Na mesa de cabeceira um frasco com o dístico Euthasol Vet e uma seringa.
Os paramédicos levaram o corpo e o comissário Magrinho, com as suas luvas de borracha calçadas, agarrou num caderno que estava colocado sobre a mesa do quarto e sentou-se no único maple, começando a ler aquela espécie de diário.
“Hoje tive de pôr fim à existência do meu fiel Pavia. E ele era o único companheiro de velhice que eu tinha. Quem mais quer perder tempo com um velho professor de línguas clássicas. Conheci-o na minha terra natal, na velha Quinta de Apleita. Sempre foi a minha maior alegria. Nunca fui rico. Sempre amei o belo e o antigo, mas não podia lá chegar. Mas no fim ganhei coragem e o que desejava e não conseguia comprar, roubei. Uma obra maravilhosa com 497 anos. A imagem do primeiro “construtor de pontes” sentado num trono, segurando na mão as chaves das sete esferas concêntricas culminadas pelo Empíreo. Não vai ser fácil encontrá-lo. Está tudo no meu nome.
ἀνάγραμμα E está guardado na minha velha camionete, serenamente parada atrás do Anjo de Portugal. E eu vou atravessar o Hades para me juntar àqueles que o anjo homenageia.”
O comissário Magrinho saiu do quarto e dirigiu-se à recepção.
“Então menina, o que sabe dizer do defunto?”
“Muito pouco. Chegou ontem à tarde, sozinho e cambaleante, como quem tem um grãozinho na asa. Vinha sozinho. Registou-se sob o nome Vasco de Apleita. A camareira encontrou-o morto hoje de manhã, quando foi arrumar o quarto”.
O comissário exibiu um sorriso triste: “Pobre Anaxágoras. Por vezes é melhor ser ignorante”.
Pergunta-se:
– O que aconteceu no quarto.
– Que objecto roubou o defunto e como fundamenta essa conclusão.
– Onde foi efectuado o roubo.
– Em que localidade e sítio está escondido o objecto roubado. Como chegou a essa conclusão?
Quem é homenageado pelo Anjo de Portugal referido no texto.
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Respostas para qualquer um dos emails dos Orientadores da Secção, até ao dia 15 de Dezembro, 24 horas!
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