🧐 🕵️ Primórdios da Problemística Policiária Portuguesa...👣👣 🔍
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PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA
3.ª PARTE - PROBLEMAS N.ºs 23 e 24
CICLO SECÇÃO "PROBLEMA POLICIAL"
- DE A. ARAÚJO PEREIRA
* * * * *
SEMANÁRIO JUVENIL
“O MOSQUITO”
Problema N.º 23
Dois caixas de um Banco tinham fugido com o dinheiro. A polícia encontrara a pista dos fugitivos à beira-mar, graças a uma agenda que um dos fugitivos perdera na precipitada fuga. Toda a região foi cercada por um cordão de agentes e as marcas encontradas na areia foram examinadas. Eram de dois pés grandes e dois pés pequenos. Essas pegadas partiam de uma vivenda e terminavam num precipício sobre o mar. Nenhum rasto havia do regresso. Os agentes concluíram haver sido suicídio e decidiram pesquisar a costa, aguardando que o mar devolvesse os dois cadáveres. Chamado Rosan, este não foi da mesma opinião. Observou que os passos correspondentes às pegadas grandes eram mais curtos do que os que correspondiam às pegadas pequenas, e que a pegada grande era muito mais profunda na biqueira enquanto que pelo contrário a pegada pequena era mais marcada no calcanhar. E apesar de não encontrar pegadas no sentido inverso concluiu que nenhum se tinha suicidado.
PORQUÊ?
***
Problema n.° 24
Olga diz a Armando, seu noivo, que vai sair, mas este suspeita dela e segue-a.
Olga toma um táxi, mas Armando chama um outro carro dando ao motorista ordem de seguir o táxi onde vai a noiva.
À porta dum jardim zoológico o táxi pára e dirige-se a um homem que a abraça.
As suspeitas de Armando parecem justificar-se; ele conhece o homem que abraçou Olga É o violinista Jorge Capuzzo.
Às 22,30 Armando observa o corpo inanimado de Capuzzo e chama a polícia. O Inspector Rosan parte para o local da tragédia.
Rosan examina minuciosamente o violino de Jorge no qual as cordas estão colocadas no sentido inverso do normal.
Armando declara: Mostrou-se demasiadamente íntimo com a minha noiva e vim dizer-lhe que desejava ver essas relações acabadas. Ofendeu-me. Brigámos e ao vê-lo de pistola em punho para me alvejar, agredi-o com o espevitador do fogão. Foi em legítima defesa. Como vê ainda tem na mão a pistola com que me ameaçava.
- O senhor mente – disse Rosan, – queira acompanhar-me.
Qual foi o facto que assegurou a Rosan que Armando mentira?
***
SOLUÇÕES:
Problema n.° 23:
Só tinha estado no local o homem das pegadas pequenas. Calçando os seus próprios sapatos, que deixara à beira-mar com a agenda que devia gerar a falsa interpretação do suicídio, e que, ao regressar tinha calçado um par de sapatos do companheiro, que trouxera consigo, caminhando a recuar, (daí os passos do regresso serem mais curtos).
Problema n.° 24:
Rosan observou que as cordas do violino estavam colocadas ao contrário. Portanto o violinista Consegni era canhoto.
Assim, a pistola colocada na mão direita da vítima traiu o criminoso.
NOTA: Este problema saiu primitivamente ilustrado por seis fotos, que facilitavam a sua decifração. Todavia, as cópias que da sua publicação possuímos não possuem a qualidade de nitidez que permitam hoje a sua reprodução, como já aconteceu em dois casos anteriores. Ainda assim reproduzimos o texto, para não prejudicar a sequência da série.
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AUTORES PORTUGUESES
DE LIVROS POLICIÁRIOS,
SOB PSEUDÓNIMO
I
Autor: JORGE ATILANO DOS REIS AMBRÓSIO
Pseudónimo: JORGE REIS
Livro: MATAI-VOS UNS AOS OUTROS
Publicado em 1962, “Matai-vos Uns Aos Outros”, com prefácio de Aquilino Ribeiro, este livro foi, em 1963, premiado pela Sociedade Portuguesa de Escritores, com o Prémio Camilo Castelo Branco. “Embora proibido e retirado do mercado, o romance circulou de forma clandestina, como muitas outras obras proibidas pela Censura, tendo sido traduzido em diversos países. Objecto de alguns textos de recensão crítica em 1963, “Matai-vos Uns Aos Outros” mereceu a aprovação de Óscar Lopes, que o elegeu como “um dos cinco ou seis melhores romances portugueses (dos) últimos cinco ou seis anos”, e “talvez o melhor romance policial português”, “melhor, porque mais verosímil, mais original de ingredientes e peripécias, mais lógico e ao mesmo tempo despistante”, tendo entre nós sido publicado pela primeira vez pela Editora Prelo, n.° 3 da Colecção Autores Portugueses, conhecendo várias edições, e depois pelo Círculo dos Leitores, pela Editorial Caminho e pela Editora Vega.”
Jorge Atilano dos Reis Ambrósio nasceu em Vila Franca de Xira, em 1926, tendo falecido em 2005.
Viveu em França muitos anos, onde desenvolveu intensa actividade intelectual, nomeadamente nas áreas literária e política.
Iniciou a actividade literária na Gazeta de Coimbra e na Gazeta Vértice, e a sua estreia no policiário dá-se com este "Matai-vos Uns Aos Outros.
Em 1983 foi galardoado com o título de Comendador da “Ordem de Infante D. Henrique”.
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II
Autor: LUÍS CAMPOS
Pseudónimo: FRANK GOLD
Luís Campos nasceu em 1942 e faleceu no ano 2000.
Licenciou-se em Ciência Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, iniciou a sua carreira profissional no Centro Nacional de Estudos Vitivinícolas e doutorou-se em Ciências Química Orgânica também pela Universidade de Lisboa. Foi pintor (expôs trabalhos em várias exposições, com realce para a que fez na Faculdade de Ciências Agronómicas de Gembloux, na Bélgica), compôs músicas, com particular incidência no Jazz, onde chegou a ter algum sucesso no HOT CLUBE, e um fundo musical para um filme português, foi autor de uma série televisiva de particular sucesso, etc, etc.
Principais obras policiais:
1 - Caso de Morte (1965): Colecção Policial de Bolso, Agência Internacional de Livraria e Publicações. Em co-autoria com George McOrwell (pseudónimo de Jorge Curvelo.
2 - Madrugada Depois da Morte (1965); n.° 1 Colecção Policial de Bolso, Agência Internacional de Livraria e Publicações.
3 - A Mulher, de Hong-Kong (1965); n.° 6 Colecção Policial de Bolso, Agência Internacional de Livraria e Publicações. Reedição em 1982; n.° 14 Colecção Livros de Bolso, Publicações Europa-América.
4 - Longa É a Noite; n.º 12 Colecção Policial de Bolso - Agência Internacional de Livraria e Publicações. Reedição em 1984: n.° 29 - Colecção Livros de Bolso - Clube do Crime - Publicações Europa-América.
5 - Trânsito em Saigão (1967), n.° 7 -Colecção Confidencial; Luís S. Campos.
6 - A Rapariga de Tânger (1982), n.° 9 Colecção Livros de Bolso - Clube do Crime; Publicações Europa-América.
7 - A Dama de Singapura (1983), n.° 21 Colecção Livros de Bolso - Clube do Crime - Publicações Europa-América;
8 - Eu, Ross Pynn (1986), n.° 6 Colecção Livro de Bolso Especial - Europress.
OBRAS ASSINADAS COM O NOME PRÓPRIO:
1 - Gata Em Noite de Chuva (1982), n.° 1 Colecção Bolso Noite Especial, Europress;
2 - Viver Sem Trabalhar Num País à Beira Mar (1983), Europress;
3 - Fogo (1983), n.° 1 Colecção Bolso Noite, Europress;
4 - As Aventuras de Barney, o Aldrabão (1983). Colecção Bolso Noite Especial -Europress;
5 - Beabá da Malandragem (1984) -Europress;
6 - A Morte Indecente de Mónica B (1983), n.° 12, Colecção Bolso Noite. Europress;
7 - Caso de Morte (1984), n.° 18 Colecção Bolso Noite, Europress (Em co-autoria com Jorge Curvelo). Este livro foi publicado originalmente por Edições de Bolso, tendo os autores utilizado então os pseudónimos Frank Gold e George McOrwell e por razões comerciais, alterado o texto de modo a enquadrar a acção fora de Portugal. A presente edição respeita o manuscrito original.
8 - O Estripador de Lisboa (1984), n.° 22 Colecção Bolso Noite, Europress. (*)
9 - As Donzelas da Noite (1989), n.° 31 Colecção Bolso Noite, Europress.
Luís Campos coordenou ainda uma antologia de contos policiais, n.° 23 da Colecção Bolso Noite, editado pela Europress em 1985, com o título “13 Obras-Primas do Conto Policial”, onde foram reunidos contos de grandes autores policiais de várias nacionalidades, incluindo portugueses.
(*) Este seu livro (O Estripador de Lisboa) viria a causar-lhe significativos dissabores, porquanto, oito anos após a sua publicação, ocorreram os crimes da Póvoa de Santo Adrião (que na nossa história criminal ficaram também conhecidos por “O Estripador de Lisboa”, “por serem evidentes as muitas coincidências entre a intriga do romance e a realidade então investigada. Duas hipóteses surgiam como viáveis: o assassino havia lido a obra de Luís Campos e imitava o protagonista, ou o autor do livro colocara em prática aquilo que antes surgira na sua imaginação”.
Por insuficiência de provas não, foi, todavia, acusado - nem ele nem mais ninguém, incluindo um indivíduo que anos mais tarde se veio voluntariamente a apresentar à Polícia Judiciária como tendo sido o criminoso - uma vez que, como é sobejamente conhecido, este caso continua até hoje insolúvel (tal, curiosamente, como o caso similar acontecido em Londres).

DOMINGOS CABRAL DA SILVA
»»» Publica-se aos dias 15 e último de cada mês! «««

Saudações Policiárias







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