🧐 POLICIÁRIO 🕵️
Episódio 16
16. ª colaboração - "A grande Bronca"
(por: LUÍS CORREIA)
O silêncio que se fez em seguida só não foi de chumbo porque eu, passados os primeiros segundos, desatei à gargalhada.
Então que raio de terra era aquela, onde as notícias corriam como o vento, onde toda a gente sabia que tinha havido uma morte nas redondezas (que agora se verificava não ter acontecido com o corpo ali presente), em que, este, inclusivamente, se dera ao “luxo” de ir ao café-taberna da Aldeia, falara com o indivíduo mais conhecido do local, e sem que ninguém, mas mesmo ninguém, até ali, e tendo para isso várias oportunidades, dissera saber algo sobre o assunto ou sobre aprovável identidade e presença do “morto vivo”
- Só numa terra de doidos...! - disse já alto e quando a gargalhada acabou.
- Você está a pensar o mesmo que eu?! - quase gritou Matos Vargas com a voz irritada.
- Se está a pensar que há, nesta terreola, uma série de gente a jogar à defesa, então, estou a pensar o mesmo que você...!
Os olhos do Matos pareciam chispar, deu um soco forte na parede da sala e voltou-se para o cabo Seromenho que se tinha afundado numa cadeira.
- Você...! Você...! - depois, vendo os olhos atarantados do Seromenho, estacou, fez um gesto de desalento e, quase num murmúrio acrescentou: - Deixe estar... ao fim e ao cabo o parvo sou eu...!
(Continua na próxima semana)
REGRESSAREMOS na próxima semana, 29 de Julho, com o texto do 17.º Episódio, “O Lago Niassa”, de: MASC, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 232, Jornal “Barlavento” (11 de Agosto de 1988).






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