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domingo, 26 de julho de 2026

TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG - Mais "Crimes"! 🕵 Autores: A. Raposo, Detective Jeremias, Onaírda, Zé Arnes, Inspector Boavida e Nove -- Os Sete Magníficos! 📚 Edições TPL -- 📖 1.ª Edição, Lisboa, Outubro, 2011

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 🔎 Uma homenagem ao cónego Novenat 🔍 

 

CAPÍTULO SEIS

As dúvidas de Novenat


De: Nove

No belo Castelo de Chamborg realizavam-se à noite, e talvez ainda se realizem, uns espectáculos de luzes especialmente destinados aos turistas. Estou a lembrar-me disso porque o acaso me trouxe às mãos uns pedaços de páginas manuscritas do que terá sido o diário do cónego Novenat, que nesse Castelo muita coisa ouviu e viu no tempo do Marquês Mendés-de-Chamborziac. É que a vida daquela gente seria mais um jogo de luzes e sombras, de desejos e frustrações, de realidades e ficções do que outra coisa qualquer.

Espero ser um fiel tradutor do cónego.

“… porque a Kátinha me enfeitiça, Senhor. Quem lhe pode resistir? Aquela pele sedosa, aquela boca sensual de onde se derrama um francês mais cativante do que o das francesas, aqueles seios perfeitos. Perdoai-me! Sabeis bem quanto me contenho na azáfama do roçagar dos paramentos e como me escandaliza a vontade do Anardá agarrar a pequena. Senhor, sabeis bem que o meu maior pecado é do espírito espicaçado pelo meu pobre corpo que Vós não quereis amansar. Sim, o mais que fiz foi tocar nos mamilos da Kátinha.

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Desde há quinze anos que digo missa no Castelo de Chamborg e confessei toda a gente que por lá pernoitou mais de um mês seguido. Pois posso garantir que de todos ouvi mistificações para iludir fraquezas ou justificar gabarolices, embora mais de uns do que de outros. Sim, também confessei o Joseph e a Frau Jeremein, Nem me atrevo a escrever como. As pessoas esquecem-se que, num meio tão restrito, me é dada a possibilidade de cruzar informação. Se tivessem pensado um bocadinho, tinham procurado confessores diferentes.

Vou ser franco, a Madame Lilly de Chamborg só tem relações verdadeiramente íntimas comigo. O Joseph acha-a demasiado velha e estragada, mas, como bom empregado, cumpre o papel que a Madame lhe destina, ou seja, o de fazer cenas que provoquem ciúmes ao Marquês e sejam ampliadas pelos binóculos e a boca do Anardá, para conhecimento e inveja de toda a gente no vale do Loire. O velho Mendés está quase impotente e não tem outro sonho que não seja o de passar uma noite encostado à Arnéss. E Lilly não perdoa ao Marquês o facto de ele, desde há uns tempos, nem a querer para aquecimento.

A cozinheira é sincera nos seus arroubos pelo Joseph. Este, porém, não consegue desenvencilhar-se do papel que assumiu para, enfim, lhe cair nos braços. Embora metido numa palhaçada, é talvez das pessoas mais honestas que por aqui anda.

Frau Jeremein tem feito crer que não se deixa enrolar com patrões ou colegas de trabalho. Não consegue esconder, contudo, uma ligação a Mendés, que vai para além dos deveres de uma empregada bem paga. O nudista Anardá – na verdade, o grande sonho dele era ter sido o Tarzan - apareceu-lhe uma vez assim como nasceu. Ela fugiu a refugiar-se no quarto do Marquês e por lá ficou tempo suficiente para dar mais de cem injecções ao patrão, que de lá saiu meio trôpego e com um sorriso nos lábios. Disse-me o Anardá, pesaroso, que lhe pareceu ter ela gostado da cena de exibicionismo, mas que estranhamente lhe fugiu…

Mendés-de-Chamborziac disfarça mal as suas novas preferências por Arnéss e Frau Jeremein. Por outro lado, Lilly tenta enganar-nos dizendo que ele está sofrendo de amores serôdios, quando aquilo que a consome é a possibilidade do Marquês doar ou fazer testamento a favor das suas novas amiguinhas.

E ontem a Kátinha veio mostrar-me, toda orgulhosa, uma carta de um tal Salvador Santi a dizer-lhe que contava com ela para entrar numa peça a levar à cena no Ambassador, um teatro da Broadway, cuja acção decorreria no Castelo de Chamborg, onde um horrendo crime haveria de acontecer.

Tudo isto me preocupa sobremaneira. Algo de muito grave se conspira por estes lados e não consigo ver muito bem o que é.

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Meu Deus, como me castigas! Porque me fizeste tentar pela bela cozinheira Arnéss, desejá-la ardentemente, ficar louco? Para correr à procura de Lilly a fim de sossegar a carne? E Lilly, ao contrário do costume, que se mostrou tão alheia, cismando noutra coisa, falando por monossílabos. O que se passa?

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…matarem-me a mim? Mas para quê? A quem aproveitaria o meu desaparecimento?

Será que querem liquidar o Marquês? Se ele não modificou o testamento, como creio, a grande beneficiária seria a Lilly. Mas se ele modificou o testamento poderá haver outros beneficiários.

O Marquês, meio tresloucado e atazanado por alguém, poderá levar a sério as cenas de Joseph com a Lilly e acabar com o motorista e a senhora. Só por causa da honra ferida e em público exposta. Porque, quanto à Lilly, preferiria que ela morresse de tédio. Será que os dois vão sucumbir a um golpe do velho fidalgo? Ou desaparecerá apenas o motorista?

Hoje, Frau Jeremein veio dizer-me, com um brilho nos olhos, que está para chegar um tal Tempicosse, ou coisa parecida, para investigar um ou mais homicídios aqui perpetrados. Ora, no Castelo de Chamborg, não ocorreu, até este momento, qualquer homicídio. No entanto algum assassínio parece estar encomendado.

A morte violenta anda por aí a rondar e não sei que fazer para a afastar.

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Desconheço o que veio a suceder no Castelo de Chamborg, mas não há dúvida que o cónego Novenat estava muito intranquilo.

 


 

 







 

🔎 VOLTAREMOS na PRÓXIMA SEMANA, DIA 2 de AGOSTO, COM A DIVULGAÇÃO do CAPÍTULO SETE "Santi de Regresso ao Passado", De: INSPECTOR BOAVIDA.



 

👌 FELIZ Domingo!




📔BOAS Leituras!

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