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CAPÍTULO OITO
A Cultura Made In USA
De: Búfalos Associados
Ao bando dos incorrigíveis polícias de domingo:
Razões que não vêm agora ao caso, fizeram com que me tornasse amigo de uma jovem portuguesa de nome Kátia que tem sido em diversas circunstâncias um amparo carinhoso em alguns momentos da minha já longa vida de imigrante. Conhecemo-nos durante umas férias que passei em Portugal e ela visita-me regularmente em Los Angeles, onde exerço a actividade de “marchand” e crítico de arte vai para 50 anos. Eu pago-lhe as passagens e tento sempre satisfazer todas as necessidades que ela manifesta. Curiosamente deixei de ter notícias dela desde o Outono passado. Sigo, com alguma relutância, pela internet, a incrível sequência de vexames com que um grupo de frustrados senis tentam atingir o bom nome de uma família, filha, mãe e tia, senhoras, pelo que sei, de reputação impoluta e dignas do maior respeito.
Não posso, pois, deixar de vos dar conta de uma passagem de uma carta que acabo (finalmente…) de receber da minha querida Kátia e que revela mais uma vez a maldade feroz com que a tentam denegrir. Diz ela, depois das habituais manifestações de carinho que desinteressadamente sempre me dispensa:
“Imagine o tio (é assim que ela me trata) o que agora me está a acontecer. No final do Verão passado conheci aqui em Los Angeles, para onde vim morar como costureira de camarins de teatro da minha tia Mary, um jovem português muito simpático que falava várias línguas incluindo o madeirense, e que andava por cá em gozo de curtas férias. Aquela cara não me era estranha, mas confesso que nem sequer fiquei o saber o seu nome. A verdade é que não consegui resistir ao seu encanto e tivemos uma aventura de curta duração, mas intensa e fulgurante. Algum tempo depois verifiquei que estava grávida e como a minha mãe sempre me ensinou que o que Deus nos dá não é para deitar fora, a criança nasceu no passado dia 25 de Junho. Entretanto tinha já tentado localizar o pai. Fui ao Consulado de Portugal e mostrei uma fotografia dele que lhe tinha tirado com o meu telemóvel. O tio não pode imaginar o rebuliço que foi naquele Consulado. Risos, gritos, correrias, o diabo. Ainda hoje não percebo porquê. O que me disseram foi que iam conseguir localizar o pai do menino que ia nascer. Realmente daí a alguns dias fui contactada por um advogado português que me propôs que, assim que a criança nascesse, a troco de uma quantia fabulosa de que me pagou logo metade, eu deveria entregar a criança à guarda exclusiva do pai. E assim se fez, assinei uma catrefada de papéis, a coisa ficou assente e tudo foi cumprido conforme o combinado. Claro que tenho muita pena de não voltar a ver o meu filho. Ainda hoje recordo com saudade os pontapés que ele me dava na barriga. Mas o balúrdio que recebi dá-me para vir a criar, se quiser, uma dúzia de crianças. Há, no entanto, outra coisa que me anda a incomodar. Então não é que as minhas amigas andam agora por aí a dizer que eu sou a mãe do filho de um tal Cristiano Ronaldo, o futebolista mais bem pago do Mundo? Meu Deus, eu sei lá quem é o Cristiano Ronaldo! Eu nem gosto, nem percebo nada de futebol!”
E pronto, meus senhores. Vejam bem até onde pode chegar a maldade dos homens. E das mulheres também, claro. Espero que esta carta e o que ela contém possa vir a causticar as vossas consciências de gente maldosa e cruel.
Los Angeles, 13 July, 2010
Andy Saaavedra
(Crítico de Arte)
P.S. Saaavedra com três “as” porque a minha mãe era de apelido Sá e o meu pai Saavedra. No registo resolveram simplificar para Saaavedra
👌 FELIZ Domingo!
📔BOAS Leituras!








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