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quarta-feira, 29 de julho de 2026

"Não há crimes perfeitos!" - Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódio  17

 




17.ª colaboração – “O Lago Niassa”

(por:  MASC)


        …Ao fim e ao cabo isto é um cabo dos trabalhos! - disse, volvendo-me para o Seromenho que topou o significado ambíguo da frase. Baixou os olhos como que envergonhado.

        O Vargas permanecia imóvel com o olhar perdido no infinito e com os punhos fechados.

        - Se Vossas Senhorias não se importassem, que tal ouvirmos a continuação da estória do Sr. Saraiva? - perguntei com uma certa dose de ironia a fim de sairmos daquele marasmo.

        - “Bom, pelo que vejo, já conhecem o Fortes... Dizia eu que o vi no café. A princípio muito me admirou, mas se há sarilho dos grandes nesta parvónia já não me surpreendo vê-lo por aqui! Conheci-o em Moçambique, trabalhava eu como biólogo e ele era bem-afamado pela sua crueldade para com os negros.

        Uma bela noite, eu nas imediações do lago Niassa, estudando a fauna nocturna, surpreendi-o a infligir maus-tratos a uns negros...”

        Algo me dizia que o mistério se iria adensar mais, por um lado, e por outro que fritamos ter mais pistas para resolver este intrincado mistério. Estaria a minha intuição a carburar bem? - disse para comigo.


(Continua na próxima semana)

 



REGRESSAREMOS na próxima semana, 5 de Agosto, com o texto do 18.º Episódio, “Regresso ao Passado”, de: MASC, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 233, Jornal “Barlavento” (18 de Agosto de 1988).

  


quarta-feira, 22 de julho de 2026

"Não há crimes perfeitos!" - Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódio  16

 




16. ª colaboração - "A grande Bronca"

(por: LUÍS CORREIA)

        O silêncio que se fez em seguida só não foi de chumbo porque eu, passados os primeiros segundos, desatei à gargalhada.

        Então que raio de terra era aquela, onde as notícias corriam como o vento, onde toda a gente sabia que tinha havido uma morte nas redondezas (que agora se verificava não ter acontecido com o corpo ali presente), em que, este, inclusivamente, se dera ao “luxo” de ir ao café-taberna da Aldeia, falara com o indivíduo mais conhecido do local, e sem que ninguém, mas mesmo ninguém, até ali, e tendo para isso várias oportunidades, dissera saber algo sobre o assunto ou sobre aprovável identidade e presença do “morto vivo”

        - Só numa terra de doidos...! - disse já alto e quando a gargalhada acabou.

        - Você está a pensar o mesmo que eu?! - quase gritou Matos Vargas com a voz irritada.

        - Se está a pensar que há, nesta terreola, uma série de gente a jogar à defesa, então, estou a pensar o mesmo que você...!

        Os olhos do Matos pareciam chispar, deu um soco forte na parede da sala e voltou-se para o cabo Seromenho que se tinha afundado numa cadeira.

        - Você...! Você...! - depois, vendo os olhos atarantados do Seromenho, estacou, fez um gesto de desalento e, quase num murmúrio acrescentou: - Deixe estar... ao fim e ao cabo o parvo sou eu...!

(Continua na próxima semana)

 



REGRESSAREMOS na próxima semana, 29 de Julho, com o texto do 17.º Episódio, “O Lago Niassa”, de: MASC, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 232, Jornal “Barlavento” (11 de Agosto de 1988).



quarta-feira, 15 de julho de 2026

"Não há crimes perfeitos!" - Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódio  15

 






15. ª colaboração - "Recordações da casa dos mortos"

(por: MED VET)


        Recusei-me a acreditar nos meus ouvidos. Como! Pois toda a gente vira que o desconhecido estava morto... Mas, depois, comecei a pensar. Afinal, quem chegara mais perto do morto tinha-o feito apenas para procurar os seus documentos, provavelmente a tremer e com pressa, e este tinha desaparecido antes de ser examinado pelo médico da polícia... Podia, portanto, estar só desmaiado, acordando na ausência do guarda e pondo-se ao fresco... Sorri, pensando na cara que o guarda faria se visse o “morto” levantar-se...

        - Vou já para lá. Talvez queira vir comigo?!...

        Não esperei que repetisse o convite. Afinal, já estava metido na história até ao pescoço...

        Ao ver-nos entrar, o cabo dirigiu-se ao meu companheiro apontou-nos o homem. Perante o testemunho dos meus olhos, fui forçado a render-me à evidência. O homem, cujo “cadáver” eu vira pouco tempo antes estava ali, com a nuca e quase toda a cabeça coberta de gaze, muito pálido; mas foi com voz firme que respondeu ao meu companheiro, que, depois de se identificar verbalmente, lhe perguntara o nome e o que fazia ali.

        - Chamo-me João Saraiva e moro no Porto. Cheguei há uma semana a esta região... Sabe, dedico-me ao estudo da fauna silvestre e estou a fazer uma monografia sobre o Parque da Peneda-Gerês e zonas vizinhas... Acontece que me dedico principalmente aos cervídeos -claro que os nossos não são nada comparados com os que vi em Moçambique... Assim, estudo os rebanhos domésticos para tentar estabelecer padrões de raças. Foi depois de uma viagem que resolvi parar aqui para comer qualquer coisa. No café vi um velho conhecido de África...

        - Quem?!

        - Não deve conhecê-lo -disse, dirigindo os olhos baços ao Matos Vargas -chama-se António Galhardo Fortes.

 

(Continua no próximo número)

 

 


 


REGRESSAREMOS na próxima semana, 22 de Julho, com o texto do 16.º Episódio, “A grande Bronca”, de: LUÍS CORREIA, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 231, Jornal “Barlavento” (4 de Agosto de 1988).

 


quarta-feira, 8 de julho de 2026

"Não há crimes perfeitos!" - Romance Colectivo - 1988🖋️Secção Policiária-Código Secreto-Jornal Barlavento

 

🧐 POLICIÁRIO 🕵️ 

 


 

Episódio  14

 




14. ª colaboração - "Bomba"

(por: MED VET)


        É verdade, apesar de me considerarem quase um anti-cristo, não me parecia que fossem tão longe. Mas, quem sabe!... Como se me tivesse lido os pensamentos, Vargas replicou:

        - Há aqui qualquer coisa que nos escapa. Quem teria interesse em comprometê-lo? Você é uma visita habitual aqui, mas o sujeito que desapareceu não o era, pelo menos ninguém afirmou conhecê-lo... Talvez tenha vindo encontrar-se com alguém de fora?

        Deixei-o a falar sozinho e fui buscar mais café. Enquanto estava no cubículo que servia de cozinha ao Posto da GNR ouvi o telefone tocar na sala onde ficara o agente. Antes que eu pudesse dar meia-volta este já levantara o auscultador e, com um gesto, impôs-me silêncio.

        - Está lá?... É o próprio... Ah, sim... O quê?! Está doido?!... Está bem, está bem... Vou já para aí! Não o deixe sair daí, ouviu?!

        Virou-se na minha direcção. O seu rosto impassível estava muito pálido e de olhos esgazeados.

        - Não vai acreditar... Era o Seromenho -a dizer que está no Posto de Socorros o homem assassinado, quero dizer, o primeiro cadáver que, pelos vistos, não o era… pois está vivo!

 

(Continua no próximo número)

 



REGRESSAREMOS na próxima semana, 15 de Julho, com o texto do 15.º Episódio, “Recordações da casa dos mortos”, de: MED VET, publicado na Secção “Código Secreto” n.º 230, Jornal “Barlavento” (28 de Julho de 1988).