PÁGINA CULTURAL DE DIVERTIMENTO

Divirtam-se neste espaço onde não se ganha milhões de euros e ninguém fica rico! Este é um local de diversão e puro lazer onde a única riqueza se granjeia a fomentar e divulgar a amizade, a alegria e a liberdade de expressão — e lucrando-se, isso sim, montes de Companheirismo e Fraternidade! (RO)

Mostrar mensagens com a etiqueta Um Caso Policial no Natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Um Caso Policial no Natal. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Blogue LOCALDOCRIME - "Um Caso Policial no Natal"🔍 📖 CONCURSO DE CONTOS - 👨 - EXTRA - CONCURSO 🏅 CONTO: Sonhos de Natal - Escreveu: Madame Eclética

📖 CONCURSO DE CONTOS 🖋

 "UM CASO POLICIAL NO NATAL"

 

O “Blogue RO”... Apresenta:

📽 EXTRA-CONCURSO

 

 

SONHOS DE NATAL

Escreveu: Madame Eclética

 

Amélia era uma miúda estruturalmente alegre e desempoeirada, uma morenaça muito gira e dada à brincadeira. Espalhava o seu charme pelas redes sociais, onde foi conquistando seguidores atrás de seguidores sem temer que aquela sua aventura pelo mundo virtual viesse a degenerar numa qualquer invasão indesejada da sua vida privada. Até que um dia começou a ser assediada por um grupo de tarados que se autointitulavam “Sonhos de Natal”. Primeiro, começaram com uns piropos pueris e aparentemente inocentes, para depois se insinuarem com uns convites de cariz sexual, primeiro um pouco brejeiros e mais tarde ordinários e pornográficos, em qualquer das três contas por ela geridas nas redes sociais. Mas de nada valeu a sua pronta e forte reação contra aquelas atitudes nem o subsequente bloqueio das indesejáveis criaturas.

Os contactos passaram a ser feitos através do telemóvel e do telefone de rede fixa, sem que se percebesse como aqueles tarados conseguiram ter acesso aos respetivos números. Amélia deixou de atender as chamadas de números desconhecidos ou anónimos e as mensagens escritas passaram a ser a ferramenta de assédio, com uma catadupa de insultos e ameaças. Face a este comportamento, ela denunciou-os à polícia. Mas ao contrário do que se esperava, o resultado foi desastroso. É verdade que os telefonemas, as mensagens e os comentários nas redes sociais terminaram, mas eles passaram a esperá-la, em grupo, à porta de casa e do emprego, limitando-se a sorrir e a soltar frases de cariz sexual, como “és boa com’ó milho, meu pintainho”, “comia-te toda, minha pombinha”, “lambia-te dos pés à cabeça, meu chupa-chupa de chocolate.”

Amélia deixou de trabalhar, enfiou-se em casa, não saía com ninguém e mal comia. As noites eram muitas vezes passadas em claro ou assombrada por pesadelos, quando conseguia pregar olho, acordando nessas alturas em sobressalto e encharcada em suor, tremendo que nem varas verdes. De manhã, mais ou menos à hora em que habitualmente saía para o emprego, quando olhava pela janela, encoberta pelas persianas de seu quarto, lá estavam os “Sonhos de Natal”. Invariavelmente, eles ficavam estacionados na rua defronte da casa dela, encostados à parede de olhos fixos na sua janela. E só desmobilizavam quando a polícia chegava junto deles, a seu pedido. Mas mal os agentes voltavam costas, lá vinham de novo os rapazes, como se não tivessem mais nada que fazer na vida a não ser incomodar a rapariga, que não sabia como agir.

Após frequentes apelos da mãe, Amélia abandonou de vez as redes sociais, onde era massacrada com frequentes provocações de teor sexual por amigos dos “Sonhos de Natal”. E aos poucos voltou a sair de casa, sempre na companhia de uma prima, um pouco mais nova, para se distrair em locais fora da cidade ou cumprir as consultas técnicas especializadas a que fora aconselhada. Nos intervalos em que a polícia punha os rapazes com dono, saíam ambas de casa e corriam para o lado oposto ao sítio por onde eles haviam fugido, diretas à estação de metro do Jardim do Morro. Aí, encobertas pela cobertura-abrigo da estação, esperavam calmamente até chegar as carruagens que as levavam a São Bento ou a Santo Ovídio. De São Bento rumavam a Espinho ou a Aveiro; de Santo Ovídio o destino era sempre um prédio azul da rua Soares dos Reis.

No terceiro andar daquele velho prédio da rua Soares dos Reis, dava consultas de psicologia um jovem muito bem-parecido, recentemente formado, com fama de ser muito competente. Num desses dias de consulta, a priminha da Amélia ficou na sala de espera, como sempre acontecia, enquanto ela entrava no consultório do Dr. Paulo Mamede. Cabelo loiro comprido, com melenas caindo sobre as sobrancelhas espessas que encimam os seus brilhantes olhos verdes, um sorriso permanente nos lábios carnudos bem desenhados e uma voz cava e melodiosa. O sol entrava pelas altas janelas do consultório, dando ainda mais brilho ao rosto moreno do psicólogo, que esperava sentado a sua paciente, com as mãos pousadas sobre o tampo da secretária pejada de livros. Amélia avançou até ele, que lhe apontou a cadeira em sua frente, onde se sentou.

As pernas de Amélia tremiam, as mãos suavam e o rosto ruborizava, o que sempre acontecia nestas consultas. Esta era a terceira vez que o psicólogo a ouvia e ela já não sentia que conversava com um técnico de saúde. A conversa desta feita foi sobre música, sobre os seus gostos musicais mais propriamente. E ficou a saber que ele tinha mais uma coisa em comum com ela. Gostava de jazz! Tal como ela, tinha um especial prazer em ouvir Miles Davis, Bille Holliday, Chet Baker e Ella Fitzgerald, nomes maiores deste género musical criado no início do século XX pela comunidade negra de Nova Orleans. Disse ele que era um gosto herdado de seu pai e que tinha uma preciosa discoteca de vinil composta por temas jazzísticos, acabando por convidá-la a ouvi-los em sua casa, numa tarde em que não tivesse consultas, nomeadamente a um sábado.

O coração de Amélia começou a bater tão forte e tão descompassadamente, que se sentiu desfalecer. E o pior foi ainda quando o psicólogo disse que nessa noite havia um concerto natalício de Jazz no Convento Corpus Christi. Ele ainda não tinha a certeza que pudesse ir, mas prometeu que faria todos os possíveis por comparecer. A consulta, que mais pareceu uma conversa entre amigos, passou depois por outros temas também do agrado de ambos. Falaram de cinema, de artes plásticas e teatro, concluindo ambos que estiveram algumas vezes no mesmo dia e no mesmo lugar, a assistir ao mesmo filme, a visitar o mesmo museu, a ver a mesma peça. No final, imediatamente antes das despedidas, ele recordou o concerto de logo à noite. E concluiu, dizendo que o receio de se confrontar com os tais “Sonhos de Natal” não podia condicionar a sua vida.

Quando a prima Susana perguntou como havia corrido a consulta, Amélia só conseguiu balbuciar “correu bem”. O seu peito rebentava de felicidade, mas ela não podia confessar esse sentimento. E muito menos dizer de quem era a responsabilidade por aquele seu estado de espírito. Era a terceira vez que consultava o psicólogo Paulo Mamede, sempre por causa dos “Sonhos de Natal”, e pela primeira vez percebeu que não lhe era indiferente como mulher. No caminho de regresso a casa, a Susana perguntou-lhe por diversas o que se passava com ela, tal era o seu estado de espírito. E quando a prima perguntou se queria que ela lhe fizesse companhia até à hora de deitar, o que acontecia com frequência, sobretudo depois das consultas ao psicólogo, Amélia respondeu de supetão: “Não, deixa estar, não vale a pena. Hoje sinto-me muito bem”.

Amélia não se sentia apenas muito bem naquele momento. Na verdade, ela nunca se havia sentido alguma vez melhor desde que se conhecia como mulher. Aquele homem tinha tudo o que ela imaginara como seria o seu futuro companheiro de vida, nas noites febris de desejo da adolescência. Havia algo nele que descontrolava os seus sentidos, que a deixava perdida em sonhos que a remetiam para fantasiosas experiências sexuais. E agora só pensava na hora de o voltar a ver, logo mais, no Convento de Corpus Christi, embalada por aquela louca paixão ao som de algumas das suas músicas de eleição, ao ritmo de jazz.

Quando chegou ao Convento Corpus Christi, atravessou o largo portão que dá acesso ao pátio do monumento na esperança de encontrar a qualquer momento o homem por quem se apaixonara. A entrada era livre, mas não era permitido o acesso ao local do concerto após a hora marcada para o seu início e tinha como condição a permanência obrigatória no espaço até ao final do espetáculo. Amélia olhou em redor e não viu Paulo. Aguardou mais um pouco e quando chegou ao limiar da hora do espetáculo resolveu entrar. A sala já estava repleta de pessoas e só conseguiu lugar na última fila da plateia. Olhou as nucas que se perfilavam na sua frente e em nenhuma delas conseguiu vislumbrar indícios da cabeça do “seu” Paulo. Uma delas tinha um cabelo loiro com algumas semelhanças, mas as dúvidas dissiparam-se quando se posicionou de perfil.

A pessoa que estava ao lado do loiro que a confundiu, voltou-se para este e… Amélia entrou em estado de choque. Era um dos “Sonhos de Natal”! E ao lado desse estava outro. E mais outro. A rapariga ergueu-se de um salto e correu para a porta de saída da sala, que abriu a custo. Um flash de luz encadeou-a. E à frente daquele clarão de luz intenso, conseguiu vislumbrar um grupo de jovens rapazes de armas apontadas para si, gritando. “Atenção! Preparar! Disparar!” Amélia soltou um grito aterrador, ao mesmo tempo que correu desenfreadamente em direção ao portão de saída do Convento. “Corta! Corta! Corta! Mas quem é que deixou passar esta maluca?!” – berrou, através de um megafone, um homem de chapéu de pala, que estava sentado numa cadeira de realizador, que tinha impressa na lona do encosto… “Sonhos de Natal” – o título do filme em rodagem…

 


domingo, 29 de junho de 2025

Blogue LOCALDOCRIME - "Um Caso Policial no Natal"🔍 📖 CONCURSO DE CONTOS - 👨 - 19.º CLASSIFICADO 🏅 CONTO: Era Véspera de Natal 🎄- Escreveu: Arjacasa🖍

📖 CONCURSO DE CONTOS 🖋

 "UM CASO POLICIAL NO NATAL"

 

O “Blogue RO”... Apresenta:

📽 19.º Classificado

 

 

Era Véspera de Natal

Escreveu: Arjacasa

 

    Numa pequena povoação transmontana coberta de neve  as ruas estavam decoradas com luzes coloridas, e as pessoas reuniam-se em suas casas para celebrar a festividade.

No largo principal, a malta mais nova juntou um monte de troncos de árvore e já estava a arder a tradicional fogueira de Natal, onde depois do jantar se juntavam as pessoas para confraternizar, até que chegava a hora da Missa do Galo à qual ninguém faltava.

Estava uma noite mágica, como era habitual todos os anos.

Os filhos e os netos vinham de cidades e países distantes para passar a Consoada e o Natal com os pais.

As mulheres ainda atarefadas em ter tudo pronto davam os últimos retoques nas sobremesas, porque a refeição noturna estava pronta para toda a família que se reunia sempre naquela noite de Consoada.

Os homens tratavam da fogueira para que o calor familiar não fosse prejudicado pelo frio habitual da época.

As crianças também já tinham acabado de enfeitar a árvore de Natal e colocado as prendas debaixo dele e estavam muito felizes e ansiosas pela chegada da hora da abertura dos presentes.

Tudo parecia correr bem e todos estavam felizes.

No entanto, algo de sinistro aconteceu para abalar a tranquilidade do lugar.

A pacata povoação vivia em completa harmonia há anos, sem sequer um único crime registado. No entanto, naquela noite, um crime aconteceu. O corpo de um homem foi encontrado na sua casa, um local onde deveria prevalecer o espírito natalício.

O detetive Morgado, conhecido pela sua dedicação e capacidades de dedução, foi designado para investigar o caso. Sabendo que a data festiva estava prestes a chegar e que era importante trazer justiça à comunidade, decidiu começar suas investigações imediatamente.

A vítima, identificada como Roberto Ferreira, era um renomado escritor de livros infantis, conhecido por suas histórias encantadoras. Parecia inconcebível que alguém quisesse fazer mal a um homem tão adorado por todos na cidade.

Enquanto interrogava os moradores, o detetive Morgado, logo percebeu que todos tinham álibis sólidos para a noite do crime. Ninguém parecia ter motivo algum para maltratar o Roberto Ferreira ou prejudicar o espírito natalício da povoação.

No meio das pistas escassas, o detetive encontrou um cartão misterioso deixado na casa da vítima. Nele, havia uma mensagem enigmática escrita à mão: “Feliz Natal, mas cuidado com as mentiras que se escondem atrás do sorriso. A verdade encontra-se nas iniciais”.

Essa mensagem deixou o detetive Morgado intrigado. Começou a analisar todas as pessoas próximas da vítima, procurando por nomes que correspondessem às iniciais mencionadas. Logo, ele descobriu que apenas duas pessoas se encaixavam: Sara Teixeira, sua vizinha mais próxima, e Alfredo Martins, um amigo próximo.

Determinado a resolver o caso antes do amanhecer de Natal, o detetive convocou tanto Sara quanto Alfredo para interrogá-los separadamente. Ambos negaram qualquer envolvimento no crime, mas as suas reações nervosas levantaram suspeitas.

Após uma meticulosa análise da cena do crime e dos depoimentos dos suspeitos, o detetive Morgado finalmente desvendou o mistério. Roberto havia descoberto um segredo sombrio sobre a vida pessoal de ambos os suspeitos e, infelizmente pagou o preço por isso.

Sara e Alfredo, que estavam envolvidos num relacionamento secreto, eram os responsáveis pela morte do escritor. Eles temiam que a verdade viesse à tona e suas reputações fossem arruinadas.

Ao revelar suas motivações e provas contra os suspeitos, o detetive conseguiu trazer justiça à povoação naquela quadra de Natal. A comunidade, embora abalada, estava grata por ter o espírito natalício restabelecido e por saber que os seus lares estavam seguros novamente.

E assim, na véspera de Natal, o detetive Morgado entregou o verdadeiro presente para a pequena povoação: a tranquilidade de saber que o mal havia sido desmascarado e que a paz poderia reinar novamente, trazendo um Natal verdadeiramente feliz para todos.

Feliz Natal!!