Memórias do Policiário – 0(7)0
Torneio Cinquentenário
“MISTÉRIO... POLICIÁRIO”
TCMP – “Sete de Espadas”
SECÇÃO POLICIÁRIA
– MUNDO DE AVENTURAS –
1975 - 2025

(7)0 EDIÇÕES das Memórias do Policiário – O Gráfico SETENTA, para homenagearmos, o
saudoso “SETE DE ESPADAS” – mais uma homenagem, no meio de muitas que lhe foram
prestadas, ao longo dos anos, enquanto vivo e depois de nos deixar e
certamente, que não será a última! – desta feita, porém para recordarmos e
comemorarmos os 50 ANOS do seu fantástico e magistral “MISTÉRIO... POLICIÁRIO”
em feliz hora... criado no inigualável “Mundo de Aventuras”, uma revista de
banda desenhada! Singular e inolvidável espaço de problemística policiária e
outros passatempos variados que durou somente onze anos (de 13 de Março de 1975
até 1 de Abril de 1986), mas foi o suficiente para o despertar de uma nova
geração de Policiaristas – praticantes de problemística – que aliados aos
chamados veteranos do momento – aqueles que outrora já tinham dinamizado e
participado no mesmo entretenimento desde 1927 e nos anos 40 e 50 – jamais
deixaram cair o designado POLICIARISMO que sobreviveu, apesar dos seus
esmorecimentos, até aos dias de hoje!
Passaram cinquenta anos e os orientadores dos variados espaços
virtuais que se dedicam, presentemente, à divulgação da Problemística
Policiária, conjuntamente com outros confrades da chamada velha guarda, não
hesitaram um segundo, perante esta magnânima efeméride POLICIÁRIA, uniram-se,
dialogaram e em sintonia a merecida e mais do que justa homenagem irá ser
prestada durante todo o ano de 2025, em Torneios de Decifração e Produção
prolongando-se durante os primeiros meses de 2026 para que se concretize em Convívio
Policiário, memorável, a devida e solene entrega de troféus aos decifradores,
solucionistas e produtores participantes nos certames!
Os espaços policiários da actualidade, que irão promover e
organizar o TCMP, durante o dia de hoje – o escolhido para o pontapé de saída –
já divulgaram nas suas páginas o regulamento e a lista oficial de prémios só
faltando a contribuição do designado como “Blogue RO” e é o que estamos a fazer
com estas linhas para justificar que decidimos produzir um pequeno “Antelóquio”
sobre o “SETE DE ESPADAS” para que aqueles que não conhecem a sua história, de
tão ilustre Policiarista, se inteirem de modo inequívoco sobre a grandeza deste
nobre HOMEM!
Fomos à procura de uma Secção Policiária de um outro consagrado
e CULTOR do Policiário – INSPECTOR ARANHA – para compor o trabalho da nossa
intenção.
Terminamos com o desejo que apareçam bastantes Decifradores no
TCMP, novos, iniciados e antigos... PORQUE O “SETE” MERECE E O MOMENTO É... SUBLIME
E... ÚNICO!
SAUDAÇÕES POLICIÁRIAS.
O Gráfico
* O POLICIÁRIO tornou-se ÚNICO,
bastante sério e valorizou-se de sobremaneira com a criatividade, participação
e dinamização do inigualável “SETE DE ESPADAS”!


“SETE
DE ESPADAS", de seu nome José Manuel Tharuga Lattas, ribatejano nascido na
Chamusca em 01.02.1921. Faleceu em 08.12.2008. Foi incontestavelmente um dos
mais carismáticos e importantes personagens da problemística policial
portuguesa. Já lhe foram prestadas várias homenagens - aqui também em Santarém,
com uma exposição de recortes, fotografias, secções, publicações, etc.,
efectuada no Convento de S. Francisco, em 2009, integrada no Convívio
comemorativo do n.º 1000 da Secção Policial do Jornal "Público" - mas
nunca será demais evocar e falar do "Sete", pelo extraordinário
trabalho desenvolvido por este homem em prol do Policiário, ao longo dos 65
anos que lhe dedicou dos 88 que viveu. Foi solucionista, produtor de problemas,
contista, responsável por muitas Secções (uma das quais, a do "Mundo de
Aventuras”, criada em 1975, desempenhou um papel excepcional na divulgação da
modalidade e na captação de muitas centenas de jovens adeptos, muitos dos quais
ainda cá andam), criador e impulsionador dos Convívios Policiais, que se
realizaram às muitas dezenas por todo o país, proprietário e director de
Revistas (“Lente”, “XYZ Magazine”), dirigente (ideólogo e co-fundador do Clube
de Literatura Policial e do “Clube XYZ), simpático, jovial, dedicado, amigo,
tudo isto foi o “Sete de Espadas” a quem dedicamos inteiramente a nossa Página
de hoje – insuficiente todavia para quanto gostaríamos de aqui publicar.
Assim seleccionámos um
texto do próprio “Sete” e dois depoimentos, de Luís Pessoa e L. S.. Mas “Sete
de Espadas” voltará, naturalmente, a ser falado nesta página. Um até sempre,
Amigo.
Domingos Cabral
“Foi,
este homem, um visionário, que fechou
sempre os olhos à realidade para avançar, com apoios ou sem eles, arrostando
todas as dificuldades? Foi, este homem, que se empenhou financeiramente para
tentar dar luz às suas ideias, apenas mais um "louco" que não foi
reconhecido? Foi, enfim, este homem, apenas e só mais um, que com a sua
simplicidade e poder de sedução trouxe multidões de miúdos para o mundo do
Policiário? Este homem, está bom de ver, é o "SETE DE ESPADAS !"
Viu a luz do dia no dia
1 de Fevereiro de 1921, na vila ribatejana da Chamusca e, pelos anos 40 do
século passado, já respirava Policiário por todos os poros, já divulgava o
romance e a problemística e praticava o saudável convívio que se prolongou até
aos nossos dias.
Mas, que me desculpem
os mais antigos confrades, foi nos anos 70 que o SETE atingiu o seu ponto mais
alto, com uma secção de "êxito impossível", numa revista de histórias
aos quadradinhos, chamada "Mundo de Aventuras".
Depois de boas e ricas
experiências em outras publicações de grande cartel no mundo dos quadradinhos,
com o "Camarada" ou o "Cavaleiro Andante", foi na
publicação da Agência Portuguesa de Revistas que o SETE conseguiu fazer um
trabalho de base e conquistar toda uma geração de jovens, mesmo muito jovens,
completamente abertos para o Policiário nos tempos seguintes ao 25 de Abril de
1974. Primeiro eram dezenas, depois centenas, de miúdos espalhados por todo o
país, que adoptaram nomes interessantes, pelos quais passaram a ser chamados
para sempre, que deram a cara, que apareceram nos convívios policiários do SETE
DE ESPADAS, que aprenderam a ler, a compreender os textos e a dar-lhes
resposta! Foram, como toda a gente ligada ao meio, hoje reconhece, "anos
de ouro", com grande dose de "loucura" pelo meio!
No centro de tudo, uma
figura curiosa, de barba branca e pouco cabelo, sorriso franco, quase gaiato: o
SETE DE ESPADAS.
Com o desmoronar da APR
(...) este "velho" confrade arrosta as tempestades, arrisca tudo e
lança projectos, sem apoios monetários, de que o "XYZ MAGAZINE" é o
exemplo maior.
A ideia é criar um
grande clube de "Amigos do XYZ" que confira à Revista um suporte capaz.
Não é completamente bem sucedido. O Clube é uma realidade, a Revista vai
sobrevivendo, mas o seu espírito aberto acaba por o conduzir ao abismo. Muitos
dos "Amigos do XYZ" recebem todos os números, mas não os papam! O
SETE, resignado, comenta: "Ó pá, o que é que queres, não lhes vou cortar a
Revista, se calhar não pagam porque não podem..."!
Afogado em dívidas, mas
sem cedências, levou a sua resistência até ao extremo, só sendo travado pelo
encerramento da tipografia onde estava a ser ultimado mais um número do XYZ,
que nunca mais conseguiu ver a luz do dia!
No dia 10 de Dezembro
de 2008, o "nosso" SETE DE ESPADAS encerrou a sua participação activa
neste nosso mundo. Levou consigo um dos seus grandes sonhos nunca
concretizados. Uma colecção de romances policiais, os melhores entre os
melhores, devidamente apresentados, estudados sob os mais diversos ângulos,
analisados exaustivamente.
Certos de que há vultos
que pela sua qualidade e importância jamais desaparecem, aqui queremos deixar
os nossos votos:
Parabéns SETE DE
ESPADAS, onde quer que te encontres.
Luís Pessoa
“O Policiário, mais
concretamente na sua vertente de Problemística Policiária, é uma arte
cultural e um desporto mental que gera o desenvolvimento das “células
cinzentas” e tem proporcionado ao longo dos anos, montanhas de camaradagem,
entretenimento e convívio entre os seus praticantes! - O Gráfico
Testemunho de L. S.,
Policiarista da "Sementeira" do "Sete" no "Mundo de
Aventuras" e colaborador de várias outras, em tempos também Seccionista, e
de há uns bons anos a esta parte, por influência daquele, profissionalmente Inspector
da Polícia Judiciária.

“Pois,
meus caros, fui apanhado a frio ontem, dia 15 Dez 08, pela tarde, quando abri a
página do Amigo Falcão e vi a infausta notícia do falecimento do nosso Mestre!
Embora a sua saúde andasse, nas anteriores semanas, bastante abalada, nada
fazia prever este desenlace. Fiquei deveras transtornado! Passado um dia da
notícia ainda não me conformo ser isso real... O Sete? Aquela máquina que
muitos de nós conhecemos e privámos! Não! Não é possível! Ele é imortal!!! Mas,
infelizmente, é e não é. Quero dizer, vai ser imortal pelo legado deixado, a
sua escrita, a sua mensagem, o seu espírito conciliador e agregador, serão
eternos. Disso não tenho, não devemos ter dúvidas. O corpo físico, esse
naturalmente tem um prazo de validade. É igual para todos, não há volta a
dar... O que foi o Sete de Espadas para mim? Pois, meus amigos, terá sido
certamente uma parte de leão na minha vida! Como estudante do secundário, com
16 ou 17 anos, e já entusiasta de há muito da BD, venho a descobrir no
"Mundo de Aventuras" (V série), em duas páginas, um espaço estranho
às próprias estórias aos quadradinhos... Como hoje soe dizer-se, primeiro
estranha-se e depois entranha-se — assim foi com "Mistério...
Policiário", do "Sete de Espadas". Trazido para ali pela mão do
Jorge Magalhães (outro grande e velho amigo!) rapidamente o mestre das barbas
"agarrou" muitos de nós nessa juventude florescente, viciando-nos e
educando-nos. Educou-nos Essencialmente no saber, na pesquisa desse saber, em
usar as “células cinzentas” que tão bem propalava aos sete ventos, na sã
camaradagem, nos convívios (...) e nos superiores valores que nos devem reger
como seres humanos! É lugar comum dizer-se termos ficado pobres com a sua
perda, mas é a pura verdade! Esta noite finda, para mim tormentosa. Inquieta e nada
pacífica..., ainda não consegui digerir esta tremenda notícia! A verdade é
essa. (...) Sempre foi um prazer dialogar com ele! Apesar da sua proveta idade
de que não se percebia o “número” pois aquele seu espírito sempre jovem,
inteligente, perspicaz e muito lúcido subvertia qualquer ideia sobre isso.
Ele era um jovem
eterno! Por esta razão, imagino, deve ter sido medonha a sua luta interior a
tentar superar o mal que o atingia, pois aquele dantesco espírito contido
naquele corpo doente colidia com o próprio corpo.
✌👏🔎🎓📑 “Nada
é eterno, inalterável, constante, tudo muda..., mas a resiliência do Policiário
em Portugal, nascida em 1927 e eternizada por “SETE DE ESPADAS” (JOSÉ MANUEL
PIEDADE THARUGA LATTAS”) em 1975, no meio de outros (descendentes) cultores -e
são bastantes! -deste interessante, sublime e inquestionável desporto mental
revelador de capacidades distintas intelectuais, é de todo mágica, fantástica e
inolvidável e ainda estará longe o dia... em que cessará inequivocamente todo o
seu dinamismo conversor, acima de tudo, deveras e de sobremaneira, de amizades
longas e duradouras de vidas com paixão aliadas ao conhecimento, cultura e
fraternidade! –
O Gráfico (2023)
“Nasci para o policiário praticamente no mês de Julho de 1934 quando, na deslocação
ao velhinho Liceu Sá da Bandeira, em Santarém, pretendia fazer a prova escrita
de Francês, do 2º ano.
Fiquei na Ribeira, em casa de um factor da C. P., familiar da minha avó, e
foi aí que eu, em vez de reler algo de fran-
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Por: Sete de Espadas
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cês, olhei para a prateleira situada em frente da minha cama com vários
opúsculos e, sem mais aquelas, estava a bisbilhotar...
Entre esses opúsculos, um de Aventuras de Sherlock Holmes, mas sem os
pastiches que nos apresentavam o Harry Taxon como Sherlock...
Em 1937-38, recordo-me, e isso marcou-me, de ter lido em folhetins, não sei se
no “Diário de Notícias”, se no “Século”, uma espécie de Robin dos Bosques na
senda das aventuras de Arséne Lupin e do Raflles... Tudo isto na Chamusca, terra
natal.
Na passagem do ano 1939-40 fui para Lisboa e, passados dois anos, casei com aquela
que sempre me acompanhou, a “Dama de Espadas”.
Em 1941-42 comecei a interessar-me pelos Foto-Crime que na altura começavam
a aparecer em diversos semanários...
Em 1944-45 comecei a magicar a criação de uma secção... E não foi uma, foram
logo duas! Nasceu a primeira, no dia 12 de Janeiro de 1947, no “Jornal de Sintra”,
chamada “Mistério e Aventura”, em homenagem ao amigo Gentil Marques, o
“Inspector Handsom”, e a segunda na Revista “Camarada”...
A partir daí, todo o mundo policiário começou a saber, se nisso estivesse
interessado, quem foi, é e será sempre o “Sete”, que fundou a Revista “Lente”,
o Clube Português de Literatura Policiária e a Revista XYZ...
LEMBRANDO COM MUITA
SAUDADE O “SETE DE ESPADAS”
…Nas extraordinárias Tertúlias do
Palladium e/ou Café Lisboa… (velhos tempos!) quando tentávamos “sacar” alguma
dica ao “Sete de Espadas”… sobre determinado Problema Policiário publicado,
apresentando as nossas teses e teorias… ele respondia, sempre, enigmaticamente:
“-AÍ… É QUE ESTÁ O
BUSÍLIS!!”
…Quando questionávamos o “Sete de
Espadas” sobre determinados pormenores de um Problema Policiário e mantínhamos
a nossa total discordância com as suas opiniões… e… quando o enervávamos… ele
respondia… irritado:
“Ai… a gaita da
Margarida!”
…QUEM SE LEMBRA?
…Abraços para todos.
O Gráfico
12.Jan.2021

* O “Sete de Espadas” identificou-se,
sempre, como um ser humano de gargalhada fácil, voz serena e fraterna, mas
poucas, ou nenhumas (!), são as fotografias, da sua existência, particularmente
nos Convívios Policiários, onde o MESTRE se mostre de amplo sorriso e alegria
extrema pelo que esta fotografia, obtida pelo consagrado M. LIMA (Porto), num
dos Convívios de Almada, na companhia do seu pupilo “O Gráfico” se revele como
uma raridade... de manifestação ímpar da FAMÍLIA POLICIÁRIA. – 18.º Convívio da TPA (30 de Maio de 1993)
O Gráfico (RO)
Blogue RO – 25 de NOVEMBRO de 2024
https://reporterdeocasiao.blogspot.com/